A beleza do futebol não é o resultado no marcador. É o momento em que a bola, obedecendo ao toque, se encaixa na "nove" debaixo da trave. É o passe de calcanhar que ninguém esperava. É a driblada de três zagueiros sob aplausos das arquibancadas. Em um mundo onde tudo depende de dinheiro e estatísticas, a beleza continua sendo o último refúgio dos românticos. O que é o futebol bonito? Por que choramos quando marcamos o gol errado, e não o certo? Vamos entender.
O gol é a cúmulo. Mas não todo gol é bonito. Alguns são chatos: o gol após o rebote, o gol de escanteio quando o goleiro errou. E outros são — obras-primas. O toque no chão em queda (Cigano, Rooney). A driblada da equipe inteira (Maradona, Messi). O toque de 35 metros na "rede" (Roberto Carlos, Ibrahimovic). A beleza do gol está na surpresa, na complexidade técnica e na dose de risco. O jogo pode ser chato, mas um gol faz dele lendário. Os jogadores dizem: "Eu não sei como fiz isso". Isso é beleza — espontânea, não submetida a algoritmos.
A driblada é uma partitura solo. Quando o jogador dribla o adversário, ele parece dançar. Finte, falso toque, viradas. A beleza da driblada está na plasticidade, no engano. Os melhores dribladores são Ronaldinho, Neymar, Messi, Azar. Eles fazem os zagueiros cair no gramado. Ver a seleção de finte do Ronaldinho é um prazer estético. A driblada é perigosa, muitas vezes termina com a perda da bola, mas vale o risco por um passe bem-sucedido.
O passe bonito não é simplesmente uma transmissão. É um beijo no pescoço, quando você não olha um para o outro, mas sabe. O passe de calcanhar, com a parte externa do pé, através de todo o campo. Os passes de Messi, Xavi, Pirlo, Cruyff são os highlights. Um passe bom pode ser melhor do que um gol. Ele mostra a inteligência do jogador, sua visão do campo. A beleza do passe está na precisão e na pontualidade.
A beleza não é apenas o mestre individual, mas também o jogo coletivo. O tiki-taka do Barcelona sob Guardiola é uma filosofia de futebol, onde a bola se move como seda. As contragolpes do Real Madrid (2010s) são rápidas, como um ataque de cobra. O pressão do Liverpool de Klopp é terrível, mas bela. A beleza da tática está na harmonia, na capacidade de prever. A defesa que joga ofside como se estivesse na música também pode ser bela.
O goleiro é um solitário. Sua beleza é diferente: o lance no chão, o rebote para escanteio, o salto "butterfly". Os salvamentos de Casillas, Buffon, Neuer, Schmeichel são acrobacias. Quando o goleiro tira a bola morta, o estádio fica quieto, e depois exploda. A beleza da salvação contrasta com a beleza do gol: é a beleza da desesperança e da esperança.
O drible que deixa a bola com o zagueiro, enquanto o atacante cai no ar, também pode ser belo. Se não houver falta, se for limpo. O jogo duro, mas honesto, tem sua estética. As ações defensivas de Maldini, Ramos, Van Dijk são arte de seleção. Mas a linha é tênue: a grosseria sem beleza se torna criminalidade.
A beleza do futebol não é apenas no campo. São milhares de bandeiras, gritos, músicas, ondas. Performances dos ultras, luzes nas arquibancadas. "Anfield", cantando "You'll Never Walk Alone". "Signal Iduna Park" com a "parede amarela". Os fãs coloram o estádio. Isso também é estética de futebol.
Não todo futebol é bonito. O ônibus, as faltas, o desperdício de tempo são o antifutebol. Ele é necessário para a vitória, mas mata o espetáculo. Os fãs odeiam times que jogam "defensivamente", simplesmente chutando a bola. A beleza é risco, e o risco é a possibilidade de perda. Portanto, times bonitos não sempre ganham. Lembrar da Barcelona de Guardiola — ela era magnífica, mas também perdia para os pragmáticos. Dilema.
O gol de Zidane na final da Liga dos Campeões de 2002 (com a perna esquerda, a distância). A driblada de Messi no jogo contra o Hetafe (copia do gol de Maradona). O pênalti de Ronaldo (Ronaldo) contra o Portsmouth. O passe de Ibrahimovic (com o calcanhar) através do campo. Esses episódios são revisados milhares de vezes. A beleza é imortal.
A beleza do futebol está em sua imprevisibilidade. Em que o 0:0 pode ser bonito, se as equipes atacam. Em que o gol de pênalti raramente é bonito, mas às vezes sim. Nós amamos o futebol não por ele vencer. Nós amamos por esses momentos, pelos quais vale a pena perdoar a chateação.
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