Pequeno homem com uma raquete enorme. A bola é maior que a sua mão. Nas arquibancadas, pais cujos corações batem ao ritmo de cada golpe. O menino no tênis de mesa não é apenas uma imagem bonita. É uma indústria inteira, esperanças, dinheiro, lágrimas e sonhos. Cada ano, centenas de meninos e meninas pegam em uma raquete aos quatro, cinco, seis anos. Mas apenas alguns chegam ao circuito profissional. Por quê? E principalmente, como não quebrar a infância tentando criar um campeão?
A resposta padrão: entre 5 e 7 anos. Roger Federer pegou na raquete aos 6. Serena Williams aos 4. Rafael Nadal aos 4 e meio. Existem começos ainda mais cedo: Maria Sharapova começou aos 4, mas nos EUA. Mas o início precoce não é a panaceia. Existem jogadores que entraram no tênis aos 8-9 anos e ainda assim se tornaram profissionais. Mais importante do que a idade do primeiro golpe é a qualidade dos treinamentos e, o que é crucial, a preparação física sem lesões.
Hoje, os treinadores não recomendam se especializar apenas no tênis até os 10 anos. O menino deve nadar, correr, jogar jogos de movimento, esticar-se. Quanto maior a base, menor o risco de sobrecarga e doenças de crescimento. As lesões mais comuns entre crianças são a doença de Osgood-Schlatter (joelho), tendinite do pulso, dores nas costas devido a torções constantes. Eles ocorrem quando os volumes de treinamento excedem as capacidades do organismo em crescimento.
A idade de ouro para a seleção é de 10 a 12 anos. Nessa idade, é possível ver se há coordenação, velocidade explosiva, sensação da bola. Mas até os 13-14 anos, é possível alcançar, se se trabalhar muito. A história conhece começos tardios.
No nível inferior — clubes e seções. Lá, centenas de milhares de crianças de todo o mundo participam. Eles jogam em quadras pequenas com bolas amarelas e verdes (pela sistema ITF "10 and under tennis"). Este é o método correto: quadra pequena e bola lenta ensinam técnica, não força.
O próximo estágio são os torneios regionais. São selecionados cerca de 20%. Depois, os campeonatos nacionais entre 12-14 anos. Lá, ficam 5% dos que começaram. E finalmente, os torneios juvenis ITF. Lá, há apenas alguns. E apenas uma pequena parte desses poucos entra no tênis profissional adulto. A estatística é cruel: menos de um de cada mil crianças que começaram a jogar aos 6 anos chegam ao top 100 do ranking mundial. A maioria sai nos juvenis ou no início da carreira adulta.
Portanto, para os pais que sonham com glória, é importante avaliar realisticamente as chances. O esporte não é um investimento com rendimento garantido. É uma loteria onde o bilhete custa muito caro.
O tênis é um dos esportes mais caros para crianças. As despesas começam com raquetes (de 3 mil rublos por uma amadora a 15 mil por uma profissional), tênis (trocar a cada 3-4 meses), roupas e cordas. Mas o principal são os treinamentos. Uma hora de treinamento individual com um treinador bom em Moscou ou na região custa de 2 a 10 mil rublos. Os grupos são mais baratos, mas o progresso é mais lento.
No início, gastam de 15 a 30 mil rublos por mês em treinamentos e torneios dentro da cidade. No nível de 12-13 anos, quando são necessárias viagens para competições nacionais, os gastos aumentam para 50-100 mil rublos por mês. Viagens para torneios juvenis ITF no exterior podem custar de 500 a 800 mil rublos por temporada. Além disso, pagamento pelo court, fisioterapeuta, psicólogo, massagem. Em resumo, para criar um juvenil competitivo, a família gasta de 3 a 10 milhões de rublos durante a infância.
Alguns encontram patrocinadores ou recebem apoio da federação. Mas a maioria paga com seu próprio bolso. Isso é uma pirâmide financeira arriscada.
Este é um tema dolorido. Os treinadores dizem em uníssono: o maior inimigo do tenista jovem não é o adversário forte, mas o próprio pai na arquibancada. Gritos "bata!", "onde você está olhando!", "eu estou gastando tanto dinheiro!". Pais que, após a derrota, ficam em silêncio no caminho para casa, punem com a privação de doces, comparando com o menino do vizinho. Isso quebra a psique mais rápido do que qualquer lesão.
Existem três modelos saudáveis. O primeiro: pais- Torcedores. Eles se alegram com as vitórias, sofrem com as derrotas, mas não interferem na técnica e tática. O segundo: pais- patrocinadores. Eles pagam pelos treinamentos, levam para os torneios, mas confiam no treinador. O terceiro: pais- ajudantes. Eles criam o dia a dia: regime, alimentação, recuperação. Ideal se essas funções se combinam.
Tabu absoluto: gritar com o menino após o jogo, criticar em frente a outros, sair no court durante o jogo, discutir com o árbitro. Lembre-se: o tênis é um jogo de erros. Se não houvesse erros, não haveria pontuação. O menino tem o direito de perder. Tem o direito de servir mal em um jogo. Isso não é uma catástrofe.
O tenista jovem aprende pior que seus colegas. É um fato. Treinamentos 4-5 vezes por semana, de 2 a 3 horas, mais torneios fora da cidade - tudo isso deixa pouco tempo para aulas. Muitos passam para o ensino domiciliar ou o ensino à distância. Mas abandonar a escola completamente é um erro. Primeiro, a carreira de tênis pode ser interrompida a qualquer momento (lesão, fadiga). Em segundo lugar, o desenvolvimento da inteligência dá uma vantagem na quadra. Xadrez, línguas, geometria, física - tudo isso treina a cabeça, e a cabeça no tênis é mais importante do que as pernas.
O regime ideal entre 10 e 12 anos: escola pela manhã, treinamento após o almoço, lições de casa e uma hora livre à noite. Nos fins de semana - torneios. Entre 13 e 14 anos, a escola pode passar a ser um plano de fundo, mas não pode desaparecer. Exemplos: Daniil Medvedev se formou com a medalha de ouro na escola, paralelamente aos treinamentos. E agora, ao se tornar profissional, ele é um dos jogadores mais inteligentes e taticamente flexíveis do circuito. Coincidência? Não.
É importante deixar ao menino tempo livre. Não pode ser ocupado pelo tênis em cada minuto. Comunicação com amigos, jogos de vídeo, passeios - sem isso ocorre o esgotamento emocional.
No tênis infantil, o problema é a especialização precoce. Crianças que jogam muito entre 7 e 9 anos muitas vezes ultrapassam seus pares devido a um golpe "marcado". Mas entre 12 e 13 anos, eles começam a perder para aqueles que correram mais, nadaram e se exercitaram na ginástica. Porque a motricidade foi formada, mas a coordenação e a base não.
Treinadores de preparação física recomendam: até os 10 anos - 30% de tênis, 70% de OFP. De 10 a 12 - 50/50. A partir dos 13 anos, pode-se gradualmente aumentar a carga de tênis para 80%. É especialmente importante monitorar a coluna vertebral. No tênis, há constante torção para um lado, o que leva a desequilíbrio muscular. São necessários exercícios compensatórios: natação, levantamento de peso assimétrico, massagem regular.
Doping no tênis infantil? Soa absurdo, mas acontece. Alguns "especialistas" prescrevem hormônios para ganho de massa e aceleração da recuperação. Isso é uma criminalidade, lesando o sistema hormonal para toda a vida. Não concorde. Nenhuma vitória vale a saúde.
O tênis infantil é uma pressão psicológica. Avaliações constantes (rating, pontos, tabelas de torneios), comparações, derrotas, expectativas dos pais. Muitos talentosos meninos se retiram porque "não conseguem mais". Eles simplesmente se cansam. Cansam de viver por um horário, cansam de que cada jogo determine o humor da família.
O que podem fazer os pais e treinadores? Primeiro, focar não no resultado, mas no processo. Parabéns por ações específicas: "Parabéns, você se abriu bem para a mão esquerda hoje". Em segundo lugar, permitir erros. O erro não é um motivo para punição, mas um motivo para análise. Em terceiro lugar, estabeleça limites: por exemplo, 15 minutos para revisar o jogo após o jogo, e depois - troca, filmes, pizza. Não traga o tênis para cada conversa à janta.
O trabalho com um psicólogo deve ser tão comum quanto a massagem. A partir dos 12 anos - obrigatório. O psicólogo ensina a lidar com o estresse, a concentração, a se preparar para o jogo e a recarregar após as derrotas. Isso não é um sinal de fraqueza, mas uma ferramenta do profissional.
Suponhamos que seu filho de 12 anos ganhe torneios regionais. O que acontece a seguir? Para entrar no nível internacional, é necessário jogar torneios juvenis ITF (14, 16, 18 anos). Lá, a competição é feroz. Para obter o ranking, é necessário ganhar pontos. Para ganhar pontos, é necessário vencer rivais de todo o mundo.
O roteiro típico: 13-14 anos - vitórias nos campeonatos nacionais, entrada na seleção juvenil. 15-16 anos - viagens constantes para torneios na Europa, primeiros jogos nos chelenges adultos (para os mais talentosos). 17-18 anos - ou você já está no top 500 do ranking adulto, ou é necessário pensar em faculdade nos EUA (NCAA). A NCAA é uma ótima maneira: bolsa esportiva, educação universitária, a oportunidade de começar a carreira profissional mais tarde. John Isner, Kevin Anderson, muitos australianos entraram no ATP após a faculdade.
É irrealista esperar que, aos 16 anos, assinem um contrato com a Nike e sejam convidados para um "Grand Slam". O caminho é longo. Os russos mais promissores dos últimos anos (Medvedev, Rublev, Kasatkina) entraram no top 100 apenas aos 20-21 anos. Antes disso, foram anos de farm e chelenges.
A honestidade consigo mesmo é a qualidade mais importante. Sinais de que é hora de transformar o tênis em hobby: lesões regulares que não permitem treinar mais de dois meses consecutivos; falta de progresso no ranking por dois anos, apesar de uma dedicação total; o menino deixou de se divertir, chora antes dos torneios, tem medo dos pais; gastos financeiros superam os rendimentos da família e levam a dívidas; os treinadores, aos quais você confia, dizem em uníssono: "O limite é o top 300, não mais alto".
Parar não é assustador. Assustador é levar até o esgotamento nervoso ou lesões crônicas. O tênis deve trazer alegria. Se a alegria não estiver lá, mude a abordagem ou reduza a meta. NCAA, ligas amadoras, tênis corporativo - isso também é uma vida digna e respeito. Não coloque um cruzamento no menino se ele não se tornar o Djokovic.
Isso é banal, mas vital. As crianças sentem quando são valorizadas apenas pelo sucesso na quadra. Elas começam a temer perder, porque a perda = perda de amor. Isso provoca ansiedade, perfeccionismo, neuroses e, em última análise, a ruptura das relações com os pais. Duzentos tenistas que alcançaram o top 100 não conversam com suas mães e pais por anos, que "ajudaram" suas carreiras na infância.
Escolha: você precisa de uma taça ou de um relacionamento quente com seu filho ou filha adulto? Muitos pais cometem erros. E depois tratam psicólogos. Não repita seus erros. Abrace após a derrota. Diga: "Estou orgulhoso de você, você lutou". E então, mesmo que a cume não seja conquistada rapidamente, seu filho crescerá como uma pessoa feliz. E a pessoa feliz é o título mais importante.
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