Milhões de meninos e meninas pelo mundo afixam pôsteres com Messi e Ronaldo nas paredes. Repetem suas celebrações após gols. Pedem aos pais para comprar chuteiras "como as de Neymar". O futebolista é mais do que um atleta. É um ídolo. Uma icona. Um exemplo a ser seguido. Mas sempre vale a pena adorar aqueles que correm com a bola? E como diferenciar um bom exemplo de um mau? Vamos entender por que os jogadores de futebol se tornam deuses para milhões e qual responsabilidade isso impõe.
No mundo há milhares de profissões. Cientistas, médicos, pilotos, astronautas. Mas por que é o futebolista que mais frequentemente se torna ídolo para crianças e adolescentes? Primeiro, o futebol é o esporte mais popular do planeta. É assistido, jogado, falado sobre. Segundo, o futebolista é um sucesso palpável. Ele corre, marca, vence. Isso é claro até para uma criança de cinco anos. Terceiro, a carreira do futebolista parece uma fábula: um menino pobre das favelas se torna milionário e estrela. Quarto, o futebolista está sempre na tela: propaganda, entrevistas, capas de revistas. Seu imagem é amplamente difundida.
Mas o principal é a emoção. O futebolista presenteia as pessoas com alegria, dor de derrotas, euforia de vitórias. E essa conexão emocional é mais forte do que qualquer argumento racional.
Qual jogador de futebol merece ser ídolo para a geração em crescimento? Vamos tentar descrevê-lo.
Primeiro, talento e trabalho. As lendas do futebol não nascem, elas são feitas. Messi injetava hormônio de crescimento, Ronaldo ficava nas treinações após todos. O ídolo deve mostrar que o sucesso não é apenas um dom dos deuses, mas suor, sangue, acordar cedo e milhares de horas no campo.
Segundo, caráter. Respeito ao adversário, aos árbitros, aos torcedores. Não há espaço para escorregões sujos, simulacros, provocações. Exemplos: Kaka, que nunca discutia com os árbitros. Miroslav Klose, que reconhecia ao árbitro que marcou com a mão e pediu para anular o gol. Isso é um verdadeiro ensinamento de ética esportiva.
Terceiro, decência fora das quadras. O futebolista-ídolo não se envolve em festas noturnas, não bebe, não usa drogas, não evita impostos, não bate mulheres. Ele ajuda crianças, constrói hospitais, apóia fundações de caridade. Marcus Rashford garantiu refeições gratuitas para alunos pobres na Inglaterra. Didier Drogba parou a guerra civil no Costa do Marfim, simplesmente se ajoelhando no campo. Esses são feitos lendários.
Quarto, longevidade. O ídolo não é uma explosão por uma temporada. É um jogador que mantém o nível por 10-15 anos. Alguém que pode ser seguido por anos, sem decepcionar.
Infelizmente, não todos os jogadores merecem adoração. O mundo conhece estrelas que se comportaram terrivelmente. O próprio Maradona — um jogador genial, mas narcomante, ligado à máfia, envolvido em acidentes de trânsito酒后驾车. Ele era amado, mas isso é um exemplo a ser seguido? Ou os jogadores modernos que simulam lesões, caem com um suave sopro de vento, provocam os árbitros. Eles ensinam meninos que mentir e fingir é normal.
Especialmente perigosos são casos de violência. Muitas estrelas do futebol mundial foram acusadas de agredir mulheres e namoradas, de violência doméstica. E os fãs fecharam os olhos: "Ele joga bem, por que nos importamos com sua vida pessoal?". Isso é uma armadilha. Se perdoarmos o crime por belos gols, multiplicaremos a ideia de que o sucesso justifica qualquer sujeira.
Em 1950, Pelé era um deus vivo. Falavam dele como de um santo. Ele não bebia, não fumava, sorria, vencia. Seu imagem era perfeito para a Guerra Fria: o Ocidente capitalista e o Leste socialista aplaudiam unânimemente o rei do futebol.
Em 1980, Maradona mostrou outra modelo: um gênio rebelde. O amor do povo perdoava-lhe tudo — a mão de Deus, o cocaína, a máfia. Ele era "o nosso", de lixo para príncipe. Mas para muitos meninos, ele se tornou um exemplo de "pode fazer tudo se você for forte".
Em 2000, Zidane, Ronaldo, Beckham — ídolos comerciais. Beckham transformou o futebol em entretenimento. Seus penteados, tatuagens, casamento com uma estrela pop estabeleceram tendências não apenas no campo, mas na vida.
2010-2020 — era Messi e Ronaldo. Hiperspecialistas, ascéticos, robôs-goleadores. Eles mostraram que o trabalho árduo e a disciplina são mais importantes do que o talento sujo. E isso é uma mensagem correta.
Agora chegou a hora de Mbappé e Haaland. Eles já são milionários aos 20 anos, vivem no Instagram, mas ainda se controlam. Serão capazes de manter-se ídolos puros sem escândalos? Veremos.
Ao se tornar um ídolo, o jogador de futebol automaticamente obtém uma enorme carga social. Seu post nas redes sociais é lido por milhões. Seu ato é discutido nas notícias. Portanto, cada movimento da estrela deve ser ponderado. Exemplos bons: Rashed Rakhimov, que devolveu parte de seu salário para orfanatos. Luka Modrić, que prestou depoimento contra funcionários corruptos de seu clube. Messi, que pagou operações para dezenas de crianças. Exemplos ruins: jogadores que organizavam festas durante a pandemia enquanto os torcedores ficavam em casa. Ou aqueles que agredem jovens na vestiário. Pedidas desculpas não ajudam.
Uma regra importante: o ídolo não escolhe se será um exemplo ou não. Ele já é um exemplo. Por padrão. Assim que você é olhado por crianças, você responde por cada passo que dá.
A psique infantil está assim construída: para se formar, a criança precisa de identificação com um adulto forte, bem-sucedido e notório. O futebolista é perfeito: ele está no centro das atenções, ele vence, ele é elogiado por milhões. A criança diz inconscientemente: "Quero ser assim, então também serei amado".
Tudo é copiado: o estilo de correr, o penteado, as tatuagens, a celebração dos gols, até a marca de chiclete. Os meninos começam a depilar as pernas como os profissionais. Fazem penteados complexos, como o de Cristiano. Gastam parte do salário dos pais em chuteiras "como as de Messi". Isso não é ruim ou bom — é um mecanismo de maturação. Mas os pais podem guiar essa imitação no caminho certo. Por exemplo, inscrever o criança em uma academia de futebol e dizer: "Seu ídolo treinou três horas por dia. Vai fazer o mesmo?".
O mais doloroso para o fã é descobrir que seu herói é um ser humano com lados sujos. Exemplo: a história do jogador que foi pego em partidas de apostas. Ou que agrediu sua esposa. Ou que foi para a prisão por não pagar impostos. Milhões de fãs caem em dissonância cognitiva: "Ele é o melhor, não poderia fazer isso!". Ou, pior ainda, começam a justificar: "Ele tem razão, os impostos são saque. Não pague!". Isso é uma armadilha. Se perdoarmos o crime por belos gols, multiplicaremos a ideia de que o sucesso justifica qualquer sujeira.
Conselhos dos psicólogos: separe o jogador do homem. Admire seu drible, seu chute, seu instinto de gol. Mas não justifique seus crimes ou atos imorais. Se o ídolo caiu na lama, você tem o direito de parar de adorá-lo. E até tem a obrigação de explicar aos filhos que os heróis também erram e que é preciso responder por erros.
Se seu filho ou filha está apaixonado por algum jogador de futebol, não proíba e não zombe. Em vez disso, faça três coisas.
Primeiro, estude sua biografia. Conte quanto tempo o ídolo trabalhou na escola de base. Quais traumas ele passou. Quem ele agradece após vitórias. Segundo, procure entrevistas e reportagens fora das quadras. Veja como ele se comporta com os fãs, com sua família, como se comporta em programas de entrevistas. Terceiro, encontre um momento em que o ídolo se comportou eticamente: por exemplo, levantou um adversário do gramado após um choque violento, ou recusou um pênalti, reconhecendo que não caiu. Mostre isso ao criança como um ideal.
E não tenha medo de desmascarar o mito. Se o ídolo se revelou um fraudeiro, um narcomante ou um agressor, explique: "Eu amo seu futebol, mas não amo seus atos. Vamos ver outros grandes — como Lionel Messi, que nunca simula".
Se precisar nomear alguns nomes sem risco de erro, aqui está a lista. Lionel Messi — modesto, família, não simula, não bebe, se envolve em caridade. Cristiano Ronaldo — um trabalho de deus, suja a sangue nos treinos, ajuda hospitais infantis. Robert Lewandowski — inteligente no campo e fora dele, profissional exemplar. Son Hyun Min — não simula, respeita os adversários, paga salários aos membros da seleção da Coreia do Sul com seu próprio dinheiro. Essas são pessoas às quais se pode seguir sem vergonha.
E quem não deve ser exemplo — aqueles que são conhecidos por simulacros, agressão no campo, escândalos com a lei. Não vamos nomear, os fãs sabem quem são.
O jogador de futebol como ídolo é uma força enorme. Ele pode levantar milhões, fazer crianças irem para as treinações, abandonar maus hábitos, acreditar em si mesmos. Mas ele também pode destruir orientações, se revelar um vilão. Portanto, não adoração cega, mas admiração crítica — é o caminho certo. Amem o jogo, respeitem os mestres, mas não os coloquem no pedestal sem crítica. E então o futebol continuará a ser uma arte pura, e não uma religião com santos duvidosos.
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