A romã é uma das flores mais reconhecidas e amplamente distribuídas, cujo uso pelo homem se estende por milênios. Esta flor modesta, com seus pétalas brancas e coroa solar, não é apenas símbolo dos campos de verão, mas também um poderoso remédio natural, matéria-prima valiosa para a indústria e um belo elemento decorativo. O estudo científico da romã, especialmente da romã-medicinal (Matricaria chamomilla L., sin. Matricaria recutita), revela a profundidade impressionante de seus benefícios.
Do ponto de vista terapêutico, a romã é uma complexa laboratório bioquímico. O principal agente ativo é o óleo essencial azul, cuja composição é dominada pelo chamazuleno. Este composto possui efeito anti-inflamatório, anti-alérgico e leve anestésico. Curioso fato: o chamazuleno é formado pela destilação do material com vapor de água do seu precursor — o pré-chamazuleno, e é ele que confere ao óleo o tom azul.
Além disso, nos capítulos contêm flavonoides (apigenina, luteolina), cumarinas, poliacetileno, polissacarídeos e ácidos orgânicos. Este composição garante efeito complexo:
Anti-inflamatório e antiespasmódico: Chá de romã é um remédio clássico para doenças do trato gastrointestinal (gastrites, enterites, espasmos). A apigenina interage com os receptores benzodiazepínicos no cérebro, explicando o efeito sedativo suave.
Antisséptico e cicatrizante: Decocções concentradas e extratos são usados para gargarismos em estomatites, gengivites, faringites, e como compressas em inflamações cutâneas.
Regenerativo: Em cosmética, a romã entra na composição de cremes, loções e shampoos para pele sensível, promovendo sua calma e recuperação.
Estudos científicos confirmam a eficácia do extrato de romã na terapia combinada para dermatites, distúrbios ansiosos leves e sintomas dispepticos. É importante notar que, apesar de parecer inofensiva, a romã, como qualquer ingrediente ativo, possui contraindicações (por exemplo, em caso de intolerância individual a plantas da família das asteráceas) e requer moderação no uso.
As escalas industriais de cultivo da romã-medicinal (principalmente em países da Europa Oriental, América do Sul, Egito) dizem do seu alto valor econômico. A principal produção:
Matéria-prima farmacêutica: Capuzinhos secos, extratos, óleo essencial para a produção de coletâneas farmacêuticas, cápsulas, decocções.
Indústria alimentar: A romã é componente chave de muitos chás de ervas e saudáveis. É usada sozinha ou em combinação com menta, melissa, hortelã.
Cosméticos e perfumaria: O óleo essencial de romã, devido ao seu aroma estável, profundo e picante-herbáceo, é usado em composições perfumárias de luxo. Em cosméticos, são valorizados seus efeitos anti-inflamatórios e clareadores.
Curioso fato: Para obter um quilo de óleo essencial são necessários cerca de 200 quilogramas de capítulos, o que explica seu alto custo. Existe também a romã romana (Chamaemelum nobile), cujo óleo essencial possui outro perfil químico e é mais aplicado na aromaterapia e cosmética de luxo.
No setor florístico, é usado principalmente outro tipo — romã de campo, ou nivianik vulgar (Leucanthemum vulgare). Este é o mesmo grande e resistente flor que estamos acostumados a ver em buquês. Sua simbologia é multifacetada: é pureza, inocência, amor verdadeiro ("ama — não ama"), símbolo da natureza russa.
Floricultores modernos valorizam o nivianik por:
Universalidade e naturalidade: Ele se encaixa perfeitamente na tendência de buquês de campo e jardim, combinando com centifolias, campânulas, grãos, peônias e rosas.
Plasticidade e durabilidade: A romã cortada mantém sua frescura na água por muito tempo.
Leveza visual: Os "solzinhos" brancos enriquecem as composições, adicionam ar e luz.
Exemplo interessante: Os seletores desenvolveram muitos tipos de romã de jardim (nivianik) com capítulos enormes, formas manteigadas e alta resistência. Existem até romãs coloridas — pirétromas, com pétalas rosadas e vermelhas.
Do antigos egípcios, que dedicavam a romã ao deus do sol Ra, aos herbários medievais até as atuais laboratórias e lojas de flores — o caminho da romã impressiona pela sua continuidade e diversidade. Ela de maneira única une valor científico comprovado e profunda atração cultural-estética. Esta flor é um excelente exemplo de como a natureza, em uma forma simples, cria um sistema complexo e útil para o homem, desejado tanto na medicina quanto na arte da floricultura. O estudo de seu potencial continua, descobrindo novas dimensões de uma planta conhecida desde a infância.
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