Tennis — jogo da vida inteira. Dizem isso. Mas no grande esporte, onde cada milissegundo conta, onde a velocidade de serviço é de 200 quilômetros, onde após um jogo de três sets as pernas doem e no dia seguinte, como é possível manter-se competitivo após os 40? Surpreendentemente, é possível. E não apenas manter-se, mas vencer, ganhar títulos, quebrar recordes. O tênis após os 40 não é milagre. É ciência, a mais rigorosa disciplina e uma nova filosofia. Conheçam os heróis que reescreveram as regras.
Vamos começar pelo óbvio. Roger Federer encerrou a carreira aos 41 anos, mas aos 40 ele jogou nas quartas de final dos Grand Slams e preenchia estádios. Serena Williams brigou por títulos aos 40. O lendário Ken Rosewall, por sua vez, venceu torneios aos 44. Mas há exemplos mais recentes. Feliciano López, o esquerdo espanhol com o campo perfeito, jogou no tour até os 42 anos, entrando em quadra com jogadores de 20 anos. E o suíço Stan Wawrinka, em 2025, aos 40 e poucos, continuou a dar vantagem aos jovens, vencendo challenger e ocasionalmente derrotando os cabeças-de-chave nos majors.
No tênis feminino, Venus Williams entrou no Wimbledon aos 43. Seu recorde é a vitória sobre um top jogador aos 42 anos. A japonesa Aya Sugiyama jogou até os 42, e a italiana Flavia Pennetta encerrou aos 39, mas poderia ter jogado mais. A lista é longa. E o que os une é um: eles não apenas chegaram a uma idade sólida, mas eram competitivos.
A resposta curta: não. Aos 40, a frequência cardíaca máxima diminui, o restabelecimento após acelerações bruscas se atrasa, a elasticidade dos ligamentos diminui, a massa muscular diminui. Esses são fatos. Mas a resposta longa: tudo isso é compensado pela experiência, pela técnica e pela capacidade de distribuir forças. O tenista de 40 anos não vai correr de canto a canto como se estivesse louco. Ele vai bater mais precisamente, escolher melhor a posição, usar mais cortes e tiros curtos, economizar respiração.
Estudos de fisiologistas esportivos mostram: a potência aeróbica pico de um amador de 40 cai 15-20% em comparação com os 25 anos. Mas para um profissional que treina 6 dias por semana com a determinação de um criança, a queda pode ser apenas 5-10%. E a técnica, ao longo de 20 anos, é desenvolvida de maneira que a queda na velocidade é compensada por uma escolha perfeita de tiro.
O problema principal não é correr, mas se recuperar. Aos 25, após um jogo de cinco sets, você está pronto para jogar no dia seguinte. Aos 40, você precisa de dois dias de descanso e um banho de água fria, massagem, fisioterapia, uma alongamento cuidadoso. Portanto, os veteranos montam seus calendários de outra maneira: eles passam por pequenos torneios, economizam-se para os shlems. E essa conta é justificada.
Aos 20 anos, você tem medo de perder. Aos 40, você já quase não liga para o ranking. Isso é uma arma terrível. O jogador experiente não se estressa nos pontos de break. Ele viu milhares deles. Ele sabe que após a fadiga virá o segundo fôlego, se não pânico. Ele sabe ler a serve do adversário pelo posicionamento do ombro, saber desacelerar o ritmo, saber provocar erros.
Vamos pegar Roger Federer nos seus últimos anos. Ele perdia em velocidade, mas vencia em inteligência. Ele não se envolvia em perseguições, ele cortava para a mão desvantajosa, saía para a rede, terminava o ponto com um único tiro. Os jovens jogadores diziam: “É impossível jogar com ele. Ele sabe o que eu vou fazer antes que eu mesmo”.
Adicione à isso a motivação. Quando você tem 40 anos, cada jogo pode ser o último. Você valoriza cada momento na quadra. Você não desiste quando está 0:5. Você luta, porque é sua última primavera. E essa fúria do velho frequentemente quebra a despreocupação jovem.
O que os veteranos fazem para não desmoronar? Primeiro, eles mudam o volume de treinamento. Não 5 horas na quadra, mas 2-3, mas com a máxima concentração. Segundo, trabalho na flexibilidade e na prevenção de lesões. Yoga, pilates, natação. Terceiro, força sem cargas de impacto. Nenhum salto com peso, nenhuma barra no ombro. Apenas exercícios isolados de equilíbrio e estabilização. Quarto, sono de 9 horas e dieta rigorosa. Nenhum álcool, mínimo de açúcar, controle do índice glicêmico.
Serena Williams contou que, após os 35, ela parou de comer carne vermelha, passou a comer peixe e proteínas vegetais. Federer contratou um chef particular para os tours. Novak Djokovic (também já acima dos 40) prega a dieta sem glúten e meditação. Isso não é misticismo. É necessidade.
O elemento mais importante é o aquecimento e o alongamento. Antes do jogo, os veteranos aquecem por uma hora, no mínimo. Após, uma hora de alongamento, gelo, meias de compressão. E assim todos os dias. Se o jovem pode sair e servir imediatamente, o velho, sem aquecimento, rasga um músculo no primeiro game.
Para os tenistas após os 40, o padrão é o mesmo: lesões dos meniscos, problemas no tendão de Aquiles, cotovelo de tênis (sim, ele não é apenas dos amadores, mas dos profissionais ele é crônico), hérnias de disco. Mas a medicina esportiva moderna faz milagres. Plasmaferapia, enriquecida com plaquetas. Injeções de ácido hialurônico nos articulações. Tratamento com células-tronco. Tudo isso é caro, mas acessível para os jogadores de topo.
Há um caso conhecido de Wawrinka, aos 38 anos, fazer uma cirurgia no joelho e voltar em três meses, em vez de seis meses, como os médicos previram. O segredo? Um protocolo de reabilitação especial com crioterapia e câmara de barômetros. Ou pegue Marreya: ele teve uma inserção metálica no quadril aos 32 e jogou até os 37. Após os 40, próteses são coisa comum. Mas jogar tênis em uma prótese? Sim, é possível, se a prótese for projetada para cargas de impacto. Caro, mas possível.
A raquete moderna para o veterano não é a mesma que tinha aos 25. Peso menor, maior área da cabeça, corda mais macia, redução da rigidez. Tudo isso reduz a vibração e a carga no cotovelo e no punho. Sapatos com amortecimento adicional na sola, frequentemente com palmilhas personalizadas. Muletas de compressão e braçadeiras — não é brincadeira, é um requisito.
Além disso, muitos veteranos usam câmaras criogênicas após os jogos e massagens pneumáticas especiais para dissipar a ácido lático. Gadgets para monitorar o pulso, o nível de estresse, a qualidade do sono. Tudo isso dá pontos adicionais que se somam à vitória.
Não vamos esquecer: o tênis é não apenas ATP e WTA. É milhares de torneios amadores, campeonatos de clubes, ligas corporativas. Lá, pessoas de 50, 60, 70 anos jogam em alto nível. O famoso “tênis de sêniores” é uma universo separado. Os campeonatos mundiais de veteranos (ITF Senior Tour) reúnem participantes até 85 anos. Na categoria 45+, jogam ex-profissionais que não estão atrasados dos primeiros 500. Na categoria 55+, pessoas cuja serve ainda é de 150 km/h.
Um dos exemplos inspiradores é o americano Gayle Case, que venceu o campeonato mundial na sua categoria aos 65 anos e tinha um ranking ITF ativo. Ele começou a jogar tênis aos 30. Isso é, nem desde a infância. E isso prova: a idade não é um veredito, se tiver a cabeça na cabeça e o approach correto para o corpo.
O primeiro e o principal conselho: passar por um exame médico completo antes de começar a jogar regularmente. Coração, articulações, densidade óssea. Segundo: não jogar com dor. A dor no tênis após os 40 não é normal. É um sinal de parar e resolver. Terceiro: usar a técnica correta. Não bater com todo o ombro em cada bola, mas conectar os pés e o corpo. Quarto: jogar em superfícies lentas (grama, grama artificial), evitar o hard, que mata os joelhos. Quinto: alternar tênis com natação e ciclismo para aliviar as articulações. Sexto: não se fixar em vencer jogadores de 20 anos. Aprecie o jogo, não o resultado.
E ainda: não tenha medo de jogar em duplas. O tênis de duplas após os 40 é uma carga ideal. Menos corrida, mais inteligência, mais prazer — um trem. Muitos veteranos passam para duplas e encontram a segunda juventude lá.
A cada ano, os atletas jogam por mais tempo. A medicina se aperfeiçoa, as técnicas de recuperação também. É provável que em dez anos vejamos o primeiro jogador a vencer um jogo de Grand Slam aos 45 anos. E no tênis amador, as categorias etárias serão expandidas até 90+. O tênis é um esporte único onde a habilidade e a experiência podem superar a física em declínio. Aqui não se precisa correr maratona, aqui se precisa acertar a raquete na bola. E isso pode ser aprendido em qualquer idade e mantido até a velhice.
Portanto, se você tem mais de 40 e está pensando em pendurar a raquete, — não, não é a hora. É a hora de mudar o approach. Menos correria, mais precisão. Menos teimosia, mais inteligência. E então o tênis após os 40 será não um sobrevivência, mas um prazer. E talvez até títulos. Quem sabe?
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