O barulho urbano não é apenas um fundo irritante. É um dos tipos mais perigosos de poluição do meio ambiente, frequentemente subestimado. Vemos a fumaça, sentimos o cheiro dos escapamentos, mas estamos acostumados a não notar o barulho. No entanto, o zumbido constante dos carros, o barulho da construção, os gritos e os sinos são um veneno ecológico que destrói a saúde de bilhões de pessoas. Ao contrário do lixo, que pode ser removido, ou das emissões, que podem ser filtradas, o barulho penetra em todos os lugares. E lutar contra ele é difícil, mas necessário.
A ecologia estuda a interação dos organismos vivos com o ambiente. O barulho é parte desse ambiente. Para os animais na floresta, o barulho é um sinal de perigo. Para o habitante da cidade, o barulho crônico é um estresse crônico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o barulho como o segundo fator mais prejudicial após a poluição do ar. Um nível constante acima de 55 decibéis (dB) já é perigoso. E nas grandes cidades, o nível médio de barulho chega a 70-80 dB durante o dia e 60-70 dB à noite. Isso excede todas as normas possíveis.
A principal fonte é o transporte. Carros, ônibus, caminhões, motocicletas. Especialmente barulhento são os pneus na asfalto e os motores nos semáforos. O segundo mais importante é a ferrovia e o metrô (vibração e barulho). O terceiro é a construção (perforadores, martelos de demolition, caminhões). O quarto é a eletrodomésticos (ar condicionado, ventilação, elevadores). O quinto é o barulho social (gritos, latidos de cães, música, fogos de artifício). À noite, o problema se agravou, pois o sono é o principal tempo de recuperação.
O efeito crônico do barulho leva a: doenças cardiovasculares (hipertensão, infartos - devido ao lançamento de adrenalina até mesmo durante o sono); perturbação do sono (mesmo que você não acorde, o cérebro reage ao barulho e as fases profundas do sono se tornam mais curtas); redução das capacidades cognitivas (em crianças - atraso na leitura, em adultos - queda da concentração); distúrbios psiquiátricos (irritabilidade, ansiedade, depressão); perda auditiva (irreversível). Segundo estimativas, na Europa, anualmente, 10.000 mortes por infarto estão relacionadas ao barulho. Crianças vivendo perto de estradas barulhentas ficam para trás em 1-2 meses de aprendizado por ano.
O barulho não mata apenas humanos. As aves na cidade cantam mais alto, mas suas músicas são menos ouvidas pelos parceiros, o que reduz a fertilidade. As rãs não ouvem os gritos de amor devido ao barulho das estradas. Os cães sofrem de fobias. Nos bosques perto das estradas, os animais se afastam, perdendo terras de alimentação. O barulho subaquático dos navios e das obras de pilares mata baleias e golfinhos (perdem orientação, são jogados na praia). O barulho urbano não é apenas uma inconveniência, mas um fator de redução da biodiversidade.
Na Rússia, o nível permitido de barulho durante o dia é de 55 dB, à noite - 45 dB. Mas essas normas quase nunca são cumpridas. As multas são pequenas, e as medições são raras. Na Europa, é mais rigoroso: nos Países Baixos, são instalados telas de barulho nas estradas barulhentas, na Alemanha, são proibidos caminhões com freios pneumáticos à noite. No Japão, pode-se receber uma grande multa por ar condicionado barulhento. Na Rússia, ainda estão em vigor apenas "horas silenciosas" (de 23h às 7h da manhã) na maioria das regiões, mas há muitas exceções (trabalho do metrô, estradas).
No nível individual: instale janelas de vidro isolantes (3-4 câmaras), pendure cortinas grossas, use barulho branco (ventilador, chuva) para mascarar, durma com protetores auriculares (se não houver inflamações), coloque fitas adesivas nas frestas das janelas. No nível urbano: urbanização (árvores e arbustos reduzem o barulho em 5-10 dB), telas de barulho ao longo das estradas, transferência do tráfego de carga para a noite, asfalto de nova geração (mais silencioso). Em 2026, em Moscou e São Petersburgo, começaram a instalar câmeras que detectam o barulho dos motociclos. Mas é apenas uma gota no oceano.
Não sinalize sem necessidade. Não ponha a música no volume máximo após 23h. Apoie iniciativas para a instalação de telas de barulho. Vota por partidos que incluem a luta contra o barulho em seus programas. Não compre apartamentos nas primeiras linhas das vias principais - reduza a demanda. Informe sobre infrações ao Roszdravnadzor e à polícia (com medição de barulho). Grabe o barulho no gravador e junte-o às reclamações.
O barulho urbano não é uma realidade inevitável, não é destino. É o resultado de planejamento sem pensamento e indiferença. Não podemos tirar todas as máquinas, mas podemos tornar a vida mais silenciosa. Por nossos filhos, por nossos corações. O silêncio também é um recurso. E ele é esgotável.
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