A ideia de usar uma esfera para aplicar tinta no papel surgiu ainda no século XIX. O primeiro patente foi obtido pelo americano John Loud em 1888. Seu dispositivo usava uma esfera giratória, molhada em tinta, mas era imperfeito: a tinta fluía ou não escrevia. Em 1938, o jornalista húngaro László Bíró (em exílio na Argentina) juntamente com seu irmão químico György criaram um modelo funcional. Ele notou que a tinta da imprensa impressa seca rapidamente e não mancha. Os irmãos usaram tintas viscosas e colocaram a esfera em um encaixe que permitia que ela girasse e aplicasse a tinta uniformemente. Em 10 de junho de 1943 (segundo outras fontes, 15 de junho) eles depositaram a patente e em 1945 lançaram a produção em massa. Os argentinos chamam a caneta de "biro" (da família). Na Inglaterra, a caneta esferográfica ainda é chamada às vezes de "biro".
O dia do aniversário da caneta esferográfica é considerado 10 de junho de 1943 — a data do depósito da patente pelos irmãos Bíró na Argentina. Foi neste dia que começou uma nova era da escrita. Embora existam desacordos, a maioria das fontes se inclina para esta data. Em 2026, completarão 83 anos do patente. O festival é informal, mas é comemorado por fabricantes de papelaria, colecionadores de canetas e simplesmente amantes de belas ferramentas de escrita. Nas escolas, às vezes é promovido "o dia sem teclado", onde os alunos são convidados a escrever apenas com caneta esferográfica. E os museus organizam exposições de canetas antigas.
Antes de sua invenção, as pessoas escreviam com canetas de pena, que exigiam tinta, pincéis e paciência. Elas sujavam as mãos e as mesas. As canetas de pena eram caprichosas, podiam transbordar e a tinta secava lentamente. A caneta esferográfica foi uma inovação: ela não transbordava (quase), a tinta secava instantaneamente e podia ser usada para escrever até na posição invertida (pilotos). Em 1945, a França comprou uma licença e a produção começou a crescer. Nos anos 1950, as canetas esferográficas substituíram as canetas de pena no uso em massa. As escolas, escritórios, instituições governamentais passaram para o novo instrumento. Escrever ficou fácil e acessível. Isso aumentou a alfabetização? Indiretamente — sim, porque não era necessário se preocupar com a tinta.
As primeiras modelos eram caras (aproximadamente 10 dólares nos anos 1940). Mas a concorrência rapidamente reduziu o preço. Nos anos 1950, surgiu a barata BIC Cristal, que se tornou um best-seller mundial (vendidos mais de 100 bilhões de unidades!). A caneta BIC com corpo transparente e forma hexagonal é um ícone de design, que está no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). As canetas esferográficas modernas podem ter diferentes espessuras de linha (0,3-1,0 mm), tintas de gel, tintas que desaparecem, com tampa ou com mecanismo deslizante. Existem até "canetas eternas" (sem tinta, que escrevem com um lápis). Mas o princípio permaneceu o mesmo: a esfera gira e transporta a tinta.
A caneta esferográfica mais cara é a Fulgor Nocturnus (1,6 milhão de dólares), decorada com diamantes, rubis e safiras. Anualmente, são vendidas mais de 15 bilhões de canetas esferográficas (o suficiente para cercar a Terra no equador 100 vezes). A esfera na caneta é feita de carbeto de tungstênio — um material muito duro. O diâmetro da esfera é menos de um milímetro. Nas condições de microgravidade, as canetas esferográficas não funcionam devido à falta de gravidade (a tinta não flui), então os astronautas usam canetas especiais com pressão ou lápis. O recorde de escrita contínua com uma única caneta é de 50 km (uma caneta comum pode escrever 5-10 km). As canetas esferográficas podem ser recarregadas, embora geralmente sejam descartadas.
A maneira mais simples é escrever algo à mão com uma caneta esferográfica. Por exemplo, uma carta para um amigo ou um poema. Pode-se organizar um concurso de caligrafia entre amigos. Ou simplesmente comprar uma nova e bonita caneta para levar no bolso (e depois se orgulhar). Nas escolas, pode-se realizar uma aula onde se conte a história da escrita. Para colecionadores, procurar modelos raras em feiras. Para aqueles que trabalham em escritórios, o dia sem computador, apenas papel e caneta. Isso é divertido e inusitado. O importante é não esquecer agradecer a László Bíró por sua invenção.
No século XXI, a caneta esferográfica, parece que se tornou obsoleta. Nós digitamos mais rápido do que escrevemos. Mas estudos mostram que escrever à mão melhora a memória e estimula o cérebro mais do que digitar no teclado. Portanto, muitos psicólogos recomendam manter um diário com caneta esferográfica. Além disso, nenhuma tecla pode substituir a sensação do esferográfico deslizando sobre o papel. Talvez no futuro a caneta se torne nicho, mas não desaparecerá. Enquanto houver assinaturas sob documentos, enquanto houver cartas de amor, enquanto houver exames, a caneta esferográfica continuará a viver.
10 de junho é a oportunidade de tirar da gaveta sua caneta esferográfica favorita. Não a de gel, não a de capilare, mas a mais simples. Escrever uma palavra em papel: "Obrigado". László Bíró. E a si mesmo — por lembrar como isso é feito.
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