Existe no calendário popular um dia cujo nome soa como apelido de um homem enérgico. Seu nome é Sidró Bokogréi. É celebrado em 27 de maio (14 de maio no estilo antigo). Neste dia, a Igreja Ortodoxa honra o santo Isidoro (Sidró) de Chipre, enquanto o povo observa os ventos e o sol. Por que Bokogréi? Porque a partir deste dia, de acordo com as tradições, o sol começa a queimar os lados. O verão começa. Vamos entender quem é Sidró, o que ele fez para agradar os agricultores e quais tradições estão relacionadas com ele.
Isidoro de Chipre viveu no século III no índice grego de Chipre. Ele era um soldado romano. Durante o imperador Decio (que perseguia os cristãos), foi capturado, torturado, mas não se desviou da fé. Foi decapitado em 251. Seu corpo foi jogado em um poço, mas os cristãos enterraram-no secretamente. Mais tarde, suas relíquias foram transferidas para uma igreja, e elas se tornaram famosas por milagres.
Na Rússia, o santo foi chamado de Sidró. O nome era popular — simples, campesino. Sidró era o protetor dos jardins, especialmente da couve. Ele era orado por uma boa colheita, pela proteção contra pragas. Além disso, Sidró é o patrono dos viajantes. No dia da sua memória, os agricultores começavam a semear linho e cânhamo.
Segundo nome — Bokogréi. Porque a partir de 27 de maio, o sol já não aquecia apenas a cabeça, mas também os lados. Era hora de tirar a roupa quente. Os agricultores diziam: «No dia de Sidró, todos os siveres (ventos do norte) se vão». A partir deste dia, esperavam calor estável.
Principal tradição: como Sidró, assim será o verão. Se 27 de maio estiver claro e quente, haverá uma boa colheita. Se estiver frio e chuvoso, o verão será chuvoso e não produtivo. Se o vento soprar do norte, espere um frio em junho. O vento do sul — para um verão quente.
Segunda tradição: as ameixas florescem no dia de Sidró. Quem consegue congelá-las — terá azar. Mas as ameixas começam a florescer e a rúcula. Segundo o florescimento da rúcula, julgavam: se o florescimento for denso, haverá muitas bagas, o que significa um inverno frio.
Terceira tradição: as bagres se escondem em buracos neste dia, enquanto os peixes começam a morder. Os pescadores diziam: «Sidró — o peixe vai para a profundidade». Mas se tiver sorte, pode pescar um lobo-manso grande.
Quarta: as aves ficam calmas. Os pombos cantam até Sidró, e depois silenciam até a próxima primavera. Na verdade, os pombos cantam todo o verão, mas a tradição é bonita.
Quinta: não é permitido jogar lixo e dar em dívida no dia de Sidró — a sorte sairá de casa. Só pode semear e plantar.
Trabalho principal — semeio. Semeavam linho e cânhamo. O linho — para camisas, cânhamo — para cordas e óleo. Antes do semeio, rezavam a Sidró: «Pai Sidró, dê um linho bom, fibroso». Após o semeio — almoço no campo. Comeram papas, lavaram com chá. Não trabalharam após o pôr do sol — temiam que as plantas adoecem.
Segundo trabalho — arrancar a terra do batatas. Na região central, as batatas já estão crescendo até 27 de maio. Arrancavam à mão, com foices. Terceiro — desbaste. As ervas daninhas crescem rapidamente após Sidró, não perca tempo.
Quarto — plantio de sementes de couve no solo aberto. «Sidró manda plantar couve». Não sabiam do calendário lunar, mas acreditavam: se plantar neste dia, os repolhos serão firmes. Quinto — organização da casa. Limpavam as janelas, limpavam a lareira, sacudiam os tapetes. Preparavam para o verão.
Sexto — adivinhações de sorte. As jovens saíam para o cruzamento, fechavam os olhos e ouviram de onde o vento vinha. Do norte — o noivo será severo, do sul — gentil e rico.
«Sidró Bokogréi — tudo o que é mau desapareceu». «No dia de Sidró e siver e pivo (norte e sul) — escolha, qual ano será». «Sidró olha para o céu — calor para o pão». «Chegou Sidró — desatou o fio». Isso é sobre o que a cânhamo foi semeado e em breve será possível tecer. «Sem Sidró e couve não plantar».
«O dia de Sidró — como ele é, assim será o primeiro pastoreio». Isso é, a temperatura no dia de Sidró determina a temperatura no pastoreio (junho). «No dia de Sidró, o vento do meio-dia — para uma colheita de cevada». «Sidró com chuva — cogumelos vão para o bosque».
Além disso, há piadas: «Quem não plantou no dia de Sidró, é tolo». Ou «Sidró, Sidró, é verdade que você é Bokogréi? Ou quem mais?». Humor popular.
Segundo as crenças populares, no dia de Sidró não é permitido: xingar e ofender — especialmente durante o semeio. Se você se ofender, a colheita morrerá. Não é permitido lavar roupa — pode «suspender» a sorte. Não é permitido varrer o chão — você expulsa a saúde com o lixo.
Não é permitido dar em dívida — o dinheiro não voltará. Não é permitido pescar após o pôr do sol — a captura será ruim. Não é permitido deixar as janelas abertas à noite — os espíritos maus podem entrar. Não é permitido cortar árvores — você trará azar para a floresta.
Não é permitido ofender gatos e cães — Sidró é seu patrono. Não é permitido relaxar — «quem se deita no dia de Sidró, o pão não cai».
Para o homem moderno, essas proibições parecem ridículas. Mas para o agricultor, eram uma lei.
Nas aldeias, as tradições ainda são vivas. As avós assam pães com couve, vão ao cemitério — lembrar de Sidró (como santo). Em alguns vilarejos, realizam festas folclóricas: dançam rodas de dança, cantam cantigas sobre Sidró.
Nas cidades — o interesse está renascendo. Museus etnográficos organizam aulas práticas: semear linho, fazer coroas, assar andorinhas. No Facebook, o flashmob #SidróBokogréi — as pessoas postam fotos do sol, dos campos, da couve.
Os agricultores tradicionalmente celebram agrônomos e jardineiros neste dia. Organizam competições pela mais rápida plantio de mudas.
A jovem também ressuscitou a adivinhação: as jovens saem na varanda com os olhos fechados e ouvem o vento. Determinam o caráter do futuro marido. Brincam, claro, mas é divertido.
Os meteorologistas são céticos. Mas observações de longo prazo mostram que, em 27 de maio, geralmente há calor estável na região central. Isso está relacionado à circulação da atmosfera. No final de maio, o anticiclone vem do sudoeste, afastando o frio.
Segundo dados de estações meteorológicas por 100 anos, em 65% dos casos, a temperatura em 27 de maio foi 2-3 graus mais alta do que no dia anterior. Não é um milagre, mas uma tendência. A tradição «como Sidró, assim será o verão» funciona fraca. Mas os agricultores queriam acreditar.
Mas a tradição sobre o florescimento da rúcula funciona: florescimento abundante — inverno frio. Isso foi comprovado pelos biólogos: se a rúcula sentir que o verão está frio, ela coloca muitos brotos para reprodução, caso parte dos frutos não amadureça.
Para os escritores de vilarejos (Belyi, Abramov, Shukshin), Sidró Bokogréi é um símbolo do início do verdadeiro verão. «Sidró Bokogréi veio — obrigado, sol, disse o avô Kuzma e tirou a camiseta». Em «O pátio de Matrénin» de Solzhenitsyn, a heroína lembra de Sidró antes de plantar batatas.
Na pintura: a pintura «Sidró Bokogréi» do amador de Vologda retrata um velho em camisa branca, aquecendo os lados no sol. Os pintores de paisagem gostam de pintar a natureza em 27 de maio — brilhante, verdejante, florescente.
Na música: a canção «Sidró Bokogréi» do grupo «Ivan Kupala» (rock folclórico). O texto é baseado em provérbios populares.
27 de maio de 2026 — quarta-feira. Para os que trabalham, não é feriado. Mas pode-se celebrar. De manhã — abrir a janela, expor os lados ao sol. Plantar mudas de couve no balcão (sim, já pode em maio). Assar um pão com couve — tradicional. Convidar vizinhos para chá.
No almoço — comer um sanduíche com ervas ao ar livre (símbolo da colheita). Olhar para o céu — se estiver claro, fazer um desejo. À noite — adivinhar no vento. Se sul — para sorte.
Pode revisar as tradições e surpreender-se com o quanto perdemos de conexão com a natureza. Sidró Bokogréi não é apenas um dia no calendário. É um motivo para parar, sentir o calor, agradecer à terra pela vida.
E não se esqueça de desligar o telefone. O sol está esperando.
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