França e cavalos. Essa conexão é mais forte que a Torre Eiffel. É aqui que o esporte equestre se transformou de necessidade militar em arte e, em seguida, em um grande esporte. Os franceses inventaram o concuro, criaram os melhores cavaleiros e criaram o torneio mais elegante do mundo. Vamos descobrir por que a França pode ser chamada de berço do esporte equestre moderno.
Os cavalos na França sempre foram um símbolo de poder. Ainda durante Luís XIV (rei-sol), havia a Estábulo Real, onde treinavam a cavalaria da aristocracia. No século XVII-XVIII, a cavalaria francesa era considerada a melhor da Europa.
Mas o verdadeiro avanço aconteceu no século XIX. Após a revolução, o esporte equestre democratizou-se. Surgiram os primeiros hipódromos (em Paris — Longchamp, 1857). Foi fundada a Société d'Encouragement — sociedade para o desenvolvimento do hipismo e do esporte equestre.
Em 1900, o esporte equestre foi incluído nos Jogos Olímpicos (Paris). Competiram no concuro, no dressage e no saltado. Os franceses ganharam as primeiras medalhas de ouro.
Hoje, a França é uma das principais nações no esporte equestre. Em número de medalhas olímpicas (mais de 20), só perde para a Alemanha. A escola de equitação francesa foi incluída na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.
O cavalo mais conhecido da França é o Selle Français. É um cavalo esportivo para concuro, dressage e saltado. Foi criado na Normandia. Grande, forte, resistente. Usado nas Olimpíadas. Preço de 20.000 a 100.000 euros.
O segundo é o Percheron. Trabalhador de peso, cavalo de carga. Foi criado na província de Perche. Usado para silvicultura, fazendas, turismo. Calmo, forte. Peso até 1200 kg.
O terceiro é o cavalo árabe (embora não seja puramente francês, é criado na França desde o século XIX). Foi criado o haras nacional em Pompadour.
O quarto é o trotador francês (Trotteur Français). Foi criado na Normandia para corridas. Muito rápido. Conhecido em todo o mundo.
E, claro, o pônei — o pônei francês (Poney Français de Selle). Pequenos cavalos para crianças.
O mais importante é o "Concurso de Paris" (Gucci Paris Masters). É realizado em Paris no Porte de Versailles em dezembro. Faz parte da série Rolex Grand Slam. O prêmio é de 1 milhão de euros. Participam os melhores cavaleiros do mundo.
Outro prestigiado é o "Concurso em La Baule" (La Baule CSIO). É realizado na cidade de La Baule na costa atlântica. É uma etapa do Campeonato das Nações. Os torcedores franceses organizam um show: sopram, cantam, gritam "Allez les Bleus!".
Corridas — "Prix de l'Arc de Triomphe". É realizado no hipódromo Longchamp em Paris (primeiro domingo de outubro). São as corridas mais prestigiadas da Europa. O prêmio é de 5 milhões de euros. São transmitidas em 80 países.
Saltado — "Les Etoiles de Pau" (na cidade de Pau, Pirineus). Um dos estágios do mundo de saltado. Relieve difícil, chuva, vento. Um teste para cavalos e cavaleiros.
Pierre Durand — campeão olímpico de 1988 no concuro. Seu cavalo Jappeloup se tornou uma lenda. Um filme sobre eles foi feito em 2013, "Jappeloup".
Roger-Yves Bost — campeão olímpico de 2016 (equipe). Conhecido por seu estilo agressivo. Seu apelido é "pelúcia" devido ao capacete.
Kevin Staut — campeão europeu de 2009, bronze olímpico em equipe em 2016. Um dos melhores do mundo em 2026.
Mulheres: Penelope Leprevost — bronze de 2016, campeã francesa múltipla. Julien Epaillard — concuro rápido.
Em saltado — Adèle Olivier, Michel Gill. Dressage — Jean-Charles Deborre.
Os cavaleiros franceses sempre estão no top 10 do ranking mundial. Em 2026, as posições mundiais: Kevin Staut — #4, Simon Delestre — #7.
No vilarejo de Saumur, está localizado o principal centro de treinamento de cavaleiros — "Cadre Noir". É uma escola de equitação elitista, fundada em 1828. "Os Cadres Negros" são instrutores (equites) em uniformes pretos. Seus espetáculos são a marca registrada da França. Os turistas viajam para Saumur especialmente para ver os cavalos dançarem música clássica.
A escola prepara atletas, treinadores, juízes. Ela ensina concuro, dressage, saltado, driving. São realizados anualmente os "Masters de Saut d'Obstacles".
O instituto publica a revista "Cheval Magazine", publica livros sobre esportes equestres.
A França é um paraíso para viajantes equestres. Milhares de quilômetros de trilhas através de vinhedos, castelos da Loira, Pirineus, Alpes. É possível alugar um cavalo e viajar por uma semana, ficando em alojamentos. Organizam expedições com guia.
A Normandia — a capital da pecuária equina. Lá são realizadas excursões para haras. A região de Camargue (sul) — cavalos brancos selvagens da raça camargue. São realizados safaris fotográficos.
Versalhes — shows equestres nas estábulos reais. Os cavalos dançam o minueto. Os ingressos são vendidos um mês antes.
Em Paris — passeios no bosque de Boulogne e Bois de Vincennes com pôneis para crianças. O hipódromo Longchamp — para amantes de corridas.
A escola de dressage francesa é considerada mais artística do que a alemã (que é técnica). Os franceses dão ênfase à "liberdade de movimento" — o cavalo deve parecer feliz. Eles usam música do período barroco, roupas, chapéus com penas.
Os cavaleiros franceses amam o passage (o cavalo levanta as pernas altamente) e o piruete. Eles introduziram muitos elementos do balé no dressage. Portanto, o dressage francês é chamado de "dança dos cavalos".
O treinador mais conhecido de dressage da França é Marcel Sire. Seus alunos ganharam campeonatos europeus.
Em cada escola francesa há uma seção de equitação (ou perto há um clube). Os crianças começam a ser treinadas aos 6 anos. Primeiro em pôneis, depois em cavalos maiores. Anualmente são realizados competições entre escolas.
A Federação Francesa de Esportes Equestres (FFE) tem 700.000 membros (incluindo amantes). É uma das maiores do mundo. Anualmente são realizadas 10.000 competições.
Existem "cursos de esportes equestres" na França — exames estatais (galopes 1-7). Eles são realizados até por aqueles que não pretendem ser profissionais, apenas por prazer.
Em 2024, Paris recebeu os Jogos Olímpicos (concuro, dressage, saltado). Os franceses ganharam ouro no concuro por equipe (Staut, Bost, Epaillard) — foi um triunfo. Em 2026, se preparam para o Campeonato Mundial em Potsdam (Alemanha), mas a França é uma das favoritas.
Em 2027, a França vai sediar o Campeonato Europeu de Esportes Equestres (o local ainda não foi determinado, talvez Bordeaux). Um novo centro equestre está sendo construído em Marselha.
Desenvolvem-se esportes equestres para pessoas com deficiência (para-concuro). A França é uma das líderes nessa disciplina. Em 2026, está previsto a abertura de 10 novos centros de para-equitação.
Problema: o custo. Cavalos, alimentação, veterinários, transporte — tudo está aumentando. A federação luta por subsídios. Mas o amor pelos cavalos não diminui.
A França é a berço do esporte equestre não apenas porque aqui estavam os melhores cavalos e cavaleiros. Porque aqui o esporte equestre se tornou parte da cultura. Quando o francês toca um cavalo, ele se sente continuador das tradições dos cavaleiros gálicos. E isso é maravilhoso.
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