Futebol e espaço. A primeira vista, entre eles há um abismo. Um é um jogo de milhões no gramado verde. O outro é a eterna silêncio. Mas não é assim tão simples. Os astronautas jogam futebol na órbita, e as bolas de futebol flutuam na microgravidade. As tecnologias criadas para o espaço ajudam os jogadores de futebol, e as marcas de futebol inspiram missões espaciais. No Dia da Rússia, o país que abriu caminho para o espaço e sempre amou o futebol, vamos unir essas duas paixões.
Imagine: você está voando para a ISS. Você está triste, falta a Terra. Então, você liga o projetor, infla uma bola macia e organiza um jogo no módulo "Zvezda". Sim, os astronautas jogam futebol na microgravidade. Não da mesma forma que no campo: a bola não cai, mas flutua. As regras mudam: é permitido empurrar as paredes, bater na bola com a cabeça, quando ela está presa no teto. O goleiro é substituído pelo portão. O verdadeiro futebol no espaço foi feito na estação "Mir": os astronautas da tripulação jogaram com o Centro de Controle de Voo (por telemetria). Hoje na ISS há uma bola mini e gols de fita adesiva. Quando os turistas chegam, eles também jogam futebol.
A bola de futebol moderna é o espaço. Os materiais usados (carbono, microfibras) vêm da indústria aeroespacial. A bola da Copa do Mundo 2018 Telstar 18 tinha um chip NFC, e a bola da Copa do Mundo 2022 Al Rihla tinha um sensor de inércia. O próximo balão pode ter nanossensores para rastrear pancadas, como os sensores nos trajes espaciais. A forma das placas é otimizada com modelagem aerodinâmica, como nos foguetes.
sapatos de solado de carbono, camisetas respiráveis com transpiração — tudo isso veio dos trajes espaciais. Os materiais que drenam o suor foram criados para os astronautas, que não podem trocar de roupa frequentemente. Os sistemas de resfriamento nas camisetas são de tecnologias para atividades extraveiculares. Até o gel para barbear que os jogadores usam antes dos jogos tem uma versão espacial. Portanto, o espaço influencia o jogo.
No mundo há muitos clubes com "nomes espaciais": "Galáctica" (Los Angeles), "Zvezda" (várias cidades), "Sputnik", "Roketa", "Astronauta". Na Rússia há "Zvezda" (Perm), "Kosmos" (Dolgoprudny). Os nomes refletem o sonho do espaço. Às vezes, os clubes jogam em forma com padrões de estrelas. Em 2018, o "Spartak" de Moscou lançou a camisa "Kosmos" em homenagem a Gagarin.
No filme "2001: Uma Odisseia no Espaço" há um episódio de futebol? Não, mas no "Espaço entre nós" (2017) o herói de Marte joga futebol. Em "Salyut-7" (2017) os astronautas jogam futebol na microgravidade. Na propaganda da Adidas "Space football" a bola voa para o espaço. O cinema ama conectar futebol e estrelas.
Cosmonautas russos Alexander Misurkin, Sergey Prokopiev, americanos, europeus. O conhecido torcedor de futebol cosmonauta Oleg Artiemiev, que usava a camisa do "Spartak" na ISS. O astronauta da NASA Reid Wiseman (fã do "Manchester United") levou um lenço do clube. Na ISS, há muitas transmissões dos campeonatos mundiais. Em 2018, os cosmonautas russos assistiram aos jogos na órbita.
Quando as pessoas voarem para Marte, elas quererão jogar futebol. Na Lua, a gravidade é 1/6 da terrestre. A bola voará longe e o correr será saltos. Talvez seja necessário inventar novas regras: não haverá offside, o goleiro pode pegar a bola em qualquer ponto do campo. Em Marte, a gravidade é 1/3 da terrestre. Lá já podem ser construídas bases com campos de futebol sob dôminos. Elon Musk prometeu trazer uma bola para Marte. O futebol não será abandonado.
O inteligência artificial e os sistemas de vigilância dos jogadores, desenvolvidos para o espaço, já são usados no futebol (VAR, rastreamento de jogadores). No futuro, a bola com IA determinará o gol sozinha. Os sistemas de vigilância de vídeo, criados para a conexão de navios, ajudarão os árbitros. O futebol se tornará ainda mais tecnológico, como o espaço.
Futebol e espaço são os dois lados do sonho humano: de voo, de movimento, de saída além dos limites. Na Terra, jogamos a bola para nos esquecer; no espaço, para não esquecer quem somos. E enquanto jogamos, as estrelas não parecem tão distantes.
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