31 de julho. No calendário, o meio do verão, calor, férias. Mas para as Ilhas Havaí e todos os que se relacionam com esse arquipélago impressionante, esta data não é apenas um dia no calendário. É o Dia da Bandeira do Havaí (Ka Hae Hawaii Day) — uma festa que lembrando da rica, dramática e em grande parte trágica história das ilhas. É o dia em que os havaianos, apesar de todas as vicissitudes da sorte, erguem novamente sua bandeira única no país, a única que combina o legado estrelado e listrado dos Estados Unidos com o \"Union Jack\" britânico. E por trás dessa bandeira não está apenas um design, mas uma épica de independência, perda e esperança.
A história do Dia da Bandeira do Havaí começa não em 1990, quando foi oficialmente proclamado, mas muito antes, em 1843. Foi o ano em que as Ilhas Havaí estavam na beira de perder sua independência.
Tudo começou com o capitão britânico George Pollard, agindo com base em um antigo acordo entre o rei Kamehameha I e o capitão George Vancouver, que decidiu que as Ilhas Havaí eram território britânico. Ele ordenou que todas as bandeiras havaianas fossem destruídas e que fossem içadas em seu lugar a \"Union Jack\". Este foi um ato de autocracia colonial que colocou em risco o suveranidade do jovem reino.
No entanto, a Grã-Bretanha, para seu crédito, não apoiou o selvagerismo de Pollard. O almiral Richard Darton Thomas foi enviado para as Ilhas Havaí para corrigir a situação. Em 31 de julho de 1843, no local que hoje é conhecido como Thomas Square em Honolulu, a bandeira havaiana foi novamente içada. O rei Kamehameha III, restaurando seu poder legítimo, proferiu palavras históricas que se tornaram o lema do estado: \"Ua mau ke ea o ka ‘āina i ka pono\" — \"A vida da terra é eternamente mantida na justiça\".
Este dia se tornou o primeiro feriado nacional das Ilhas Havaí — o dia da restauração da independência. E embora o Dia da Bandeira do Havaí tenha status oficial desde 1990, suas raízes remontam a esse evento dramático do século XIX.
A bandeira que foi içada naquele dia foi criada muito antes de 1843. Seu autor foi o próprio rei Kamehameha I, que uniu as Ilhas Havaí em um estado unificado. Em 1816, ele propôs um design que deve refletir tanto a identidade local quanto as conexões internacionais.
Oito faixas horizontais alternadas — brancas, vermelhas e azuis — simbolizam as oito ilhas principais do arquipélago: Oahu, Maui, Lanai, Kauai, Kahoolawe, Molokai, Niihau e a Grande Ilha. E no canto superior esquerdo foi colocado a bandeira da Grã-Bretanha — \"Union Jack\". Isso não é coincidência: ele lembrava do período em que as Ilhas Havaí estavam sob o protetorado da Grã-Bretanha (1794–1843) e das relações amistosas com a coroa britânica.
Ao dia de hoje, a bandeira das Ilhas Havaí é a única bandeira de estado dos Estados Unidos que contém um símbolo estatal estrangeiro. Isso a torna única e ao mesmo tempo lembra da complexa e multilayered história das ilhas, onde influências de diferentes potências se entrelaçaram.
Em 1990, o governador das Ilhas Havaí, John Waihe'e III, assinou uma proclamação declarando 31 de julho o Dia da Bandeira do Havaí. Desde então, o dia é celebrado anualmente. Não é apenas uma formalidade, mas uma oportunidade para os havaianos lembrarem sua história e homenagear um símbolo que sobreviveu à monarquia, à anexação e ao status de estado.
As celebrações acontecem por todo o arquipélago, mas os eventos mais significativos são organizados pelo Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos. Em cinco parques nacionais nas ilhas Havaí e Maui, ceremonies são realizadas simultaneamente. A programação inclui demonstrações de pū ‘ohe (flautas de bambu), palestras de oradores convidados sobre a história Lā Hae Hawai‘i e, claro, o levantamento solene da bandeira. Nesses parques, bem como no palácio real ‘Iolani e no mausoléu real, a bandeira havaiana tem o direito de flutuar separadamente da bandeira americana.
Para os havaianos, este dia não é apenas uma oportunidade de lembrar o passado. É um ato de renascimento cultural, um lembrete de que, mesmo em condições de globalização e mudanças políticas, o povo pode manter seus símbolos e sua memória. Para os havaianos, este é o dia em que o \"Union Jack\" e as oito faixas retomam sua voz, contando ao mundo a história das ilhas que nunca pararam de lutar por sua \"justiça\".
A bandeira do Havaí não é apenas um pedaço de tecido. É um testemunho de como um pequeno reino no centro do Oceano Pacífico se movimentou habilmente entre as grandes potências, mantendo sua identidade. Ele viu o florescimento da monarquia e sua queda em 1893, quando um grupo de empresários americanos, com o apoio das forças especiais, depôs a rainha Liliuokalani. Ele foi testemunha da anexação das Ilhas Havaí pelos Estados Unidos em 1898 e da obtenção do status de 50º estado em 1959. E o mais surpreendente, em 1993, o Congresso dos Estados Unidos reconheceu oficialmente a ilegalidade do golpe da monarquia havaiana.
Ao dia de hoje, o Dia da Bandeira do Havaí não é apenas um tributo à história. É um lembrete de que, mesmo em condições de globalização e mudanças políticas, o povo pode manter seus símbolos e sua memória. Para os havaianos, este é o dia em que o \"Union Jack\" e as oito faixas retomam sua voz, contando ao mundo a história das ilhas que nunca pararam de lutar por sua \"justiça\".
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