Pequeno cavalo de pelagem castanha. Baixo, magro, de temperamento difícil. Seu nome era Jappeloup. Nos anos 1980, ela desafiou gigantes do concursos e venceu. Este cavalo se tornou símbolo da França, apareceu no cinema, recebeu a mais alta condecoração civil. A história de Jappeloup é uma história de amor, luta e triunfo. Contamos por que essa é uma lenda.
Jappeloup (Jappeloup) é um cavalo da raça selle français, nascido em 1975 na França, na Normandia. Seu nome é composto: Jappeloup — do nome da região Jappeloup (nome próprio). Ele era baixo — 1,62 m de altura. Para o concursos, isso é pouco (a altura média é 1,70 m). Portanto, no início da carreira, ele não foi levado a sério.
Os primeiros cavaleiros consideravam Jappeloup incômodo: ele berrava, mordia as rédeas, não obedecia. Ele até foi vendido para carne. Mas em 1982, ele foi notado pelo cavaleiro de 21 anos Pierre Durand. Pierre viu no "diabo castanho" um potencial e comprou o cavalo por 25.000 francos (aproximadamente 7.000 euros).
Assim começou sua ascensão.
Pierre Durand nasceu em 1965 em uma família de vinhedores. Ele começou a praticar esportes equestres aos 10 anos. Determinado, ambicioso, ele não tinha medo de cavalos difíceis. Pierre dizia: "Eu procurava um cavalo com personalidade. Jappeloup era louco. Nós nos encaixávamos".
Pierre não aplicava força. Ele conquistava obediência através da paciência e da confiança. Anos de estudo para entenderem-se. Jappeloup ainda era difícil, mas Pierre sabia quando incentivá-lo e quando puni-lo com um olhar.
Seu estilo é agressivo, rápido. Jappeloup saltava como um diabo, mas limpo. Erros aconteciam, mas raramente.
1985 — Jappeloup vence o Campeonato da França de concursos. 1986 — bronze no Campeonato do Mundo (Aachen) pela equipe. 1987 — ouro no Campeonato Europeu (St. Gallen, Suíça).
Jogos Olímpicos em Seul (1988) — principal evento. A equipe francesa (Pierre, Jappeloup, Frédéric Courteille, Michel Robert) mostra um resultado fenomenal. Jappeloup e Pierre realizam dois passos perfeitos. A França ganha o ouro na equipe. No individual, bronze (perdendo apenas para os alemães).
Isso foi um milagre. O cavalo que queriam matar se tornou campeão olímpico.
Jappeloup era conhecido por seu caráter difícil. Ele podia morder o moço de cavalo, dar um pontapé em outro cavalo, recusar-se a saltar. Em competições, ele às vezes "subia nos chifres" diante de um obstáculo — um número mortal para o cavaleiro. Pierre aprendeu seus "tricks": quando Jappeloup levanta a cabeça, relaxar a rédea e empurrar para frente; se berrava, não puxar pela rédea.
O cavalo adorava a atenção da plateia. Quando os espectadores aplaudiam, Jappeloup sacudia a crina e cavalcava com orgulho. Se não havia aplausos, ele podia fazer um escândalo.
Ele também era muito inteligente. Pierre dizia: "Ele decidia quando saltar e quando não. Se a altura do obstáculo era 1,50 m, mas ele pensava que era 1,60, ele podia recusar. Mas na Olimpíada, ele sentia a responsabilidade e se esforçava ao máximo".
Em 2013, foi lançado o filme "Jappeloup" (Jappeloup) do diretor Christian Duguay. O papel de Pierre Durand foi interpretado por Guillaume Canet. O filme ganhou o prêmio "César" como melhor estreia. O filme mostra a história da vitória de um pequeno cavalo e de seu cavaleiro-rebelde.
Pierre Durand participou da criação do roteiro. Ele até consultou o ator sobre a postura. Para as filmagens, foram usadas 5 cavalos, substituindo Jappeloup (o original já havia morrido). O filme é popular na França, é transmitido na TV a cada ano no Natal.
Livros foram escritos sobre Jappeloup: "Jappeloup: o rei do concursos" (Pierre Durand, 2006), "Minha vida com Jappeloup" (biografia). Além disso, o quadrinho "Jappeloup: l'envol" (2015).
Em 1991 (após o fim da carreira), Jappeloup recebeu o prêmio "Cavalo do Ano" na França. Em 1999, ele foi agraciado com a ordem "De Mérito" (análogo francês da medalha) — raro para um animal. Seu nome foi inscrito no Salão da Fama do Esporte Equestre (Lexington, EUA).
Monumentos: Em Paris, na entrada do hipódromo Longchamp, há uma estátua de bronze de Jappeloup (inaugurada em 2014). Na Normandia, na fazenda onde ele nasceu, há uma pedra com uma placa. No museu do esporte (Paris), estão guardados seu sela e chicote.
Jappeloup morreu em 1999 aos 24 anos. Ele foi enterrado na Normandia, na fazenda onde viveu após a carreira. Sobre a sepultura — um carvalho e a inscrição: "Jappeloup — o pequeno gigante" (Le petit géant).
Após o fim da carreira em 1991, Jappeloup se tornou um semental. Ele deixou cerca de 200 descendentes. Alguns deles competem com sucesso no concursos. Por exemplo, o neto de Jappeloup — o cavalo Caiman de Haraz — ganhou etapas do Campeonato do Mundo.
Mas o caráter não foi passado a todos. Durand disse que os descendentes de Jappeloup são mais calmos — "o caráter do avô" se manifestou apenas em alguns. No entanto, a linhagem de Jappeloup é valorizada.
Jappeloup mudou a percepção sobre "cavalos difíceis". Antes dele, no concursos, eram valorizados cavalos grandes (altura de 1,70-1,80 m), calmos. Jappeloup provou que um cavalo pequeno, nervoso e com personalidade pode vencer se encontrar o caminho certo.
Pierre Durand se tornou uma celebridade na França. Seu centro de treinamento (em Bordeaux) é visitado por amadores e profissionais. Ele desenvolveu uma metodologia de trabalho com "cavalos problemáticos", baseada na confiança. Hoje, seus alunos vencem em torneios internacionais.
A história de Jappeloup é um exemplo de que a beleza não está no tamanho, mas no espírito.
Não é possível ver Jappeloup vivo (morreu). Mas é possível assistir ao filme "Jappeloup" (disponível em francês com legendas), ler o livro, visitar o museu do esporte em Paris, onde estão expostas suas condecorações. No hipódromo Longchamp em Paris, é possível tirar fotos com a estátua de bronze.
Na Normandia, na "vila Jappeloup" (fazenda), são realizadas excursões onde mostram seus descendentes. O guia conta histórias. É possível até montar em uma cavalo — parente da lenda.
Em 2026, para o 30º aniversário do ouro de Seul, está planejado um festival em homenagem a Jappeloup na França. Convidam Pierre Durand e outros veteranos. Serão saltados em cavalos — descendentes de Jappeloup.
"Ele era como um animal selvagem que precisava ser domesticado. Mas quando ele entendeu que eu não lhe faria mal, ele abriu seu coração".
"O pequeno tamanho de Jappeloup era sua vantagem. Ele era mais rápido nas curvas, mais leve na minha massa corporal".
"No dia da final olímpica, eu sussurrei para ele: 'Hoje devemos ser campeões'. Ele assentiu com a cabeça. Não estou brincando".
"As pessoas diziam que eu era louco, que devia vender esse diabo. Agora, sua estátua está ao lado de Longchamp. Quem é louco?"
Jappeloup é mais do que um cavalo. Ele é um símbolo da fé em si mesmo. Se um pequeno cavalo da Normandia pode se tornar campeão olímpico, então o homem pode fazer tudo. Apenas não desistir. E às vezes — encontrar seu Jappeloup.
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