Dezesseis anos é uma fronteira. A criança já não é uma criança pequena, mas ainda não é adolescente. Se os pais se divorciaram quando a filha tinha 3-5 anos, até os 10 anos o pai muitas vezes se torna o "pai de domingo". Mas o que acontece quando a menina cresce? Como mudam as relações com o pai que vive separadamente? Precisa mudar algo? Contamos a psicologia e damos conselhos aos pais, mães e às próprias meninas.
Entre 10 e 12 anos, a menina entra na adolescência. O corpo, as emoções, os interesses mudam. Ela já não corre para o pai com os braços abertos, pode ser caprichosa, desafiadora, exigir independência. Isso é normal. O cérebro está se reestruturando, há uma tempestade hormonal. É importante para o pai entender: sua distância não é rejeição, mas um estágio de crescimento.
A menina, neste idade, precisa urgentemente do aprovação das amigas, não dos pais. Os amigos se tornam mais importantes do que o pai. Se o pai pressiona, requer encontros obrigatórios aos domingos, pode estourar um motim. "Não quero ir ao pai, tenho coisas a fazer."
A segunda característica: a menina começa a se envergonhar do pai. Sua presença (especialmente na escola, no aniversário) pode causar constrangimento. Ela tem medo de que ele esteja trapalhando, diga algo errado, se destaque dos outros pais. Isso não é ofensa. É a idade.
A terceira: a formação da imagem do homem. O que o pai fizer com a filha agora afetará suas futuras relações com os meninos. Se ele for frio, crítico, não ouvir, ela procurará alguém assim. Se ele for cuidadoso, respeitoso, escolherá digno.
Erro nº 1: sumir após o divórcio. O pai pensa: "Ela não me lembra, eu não sou necessário". Mas a menina lembra, sofre. Mesmo que ela não diga, a ausência do pai deixa uma lacuna. Aos 10 anos, essa lacuna pode se transformar em depressão, insegurança.
Erro nº 2: se tornar o "pai presente". Cada encontro é presente, atrações, doces. A menina se acostuma a pensar que o pai é um animador. Não há comunicação profunda. Quando ela crescer, ficará entediada. Ela deixará de ir porque os presentes ficaram chatos.
Erro nº 3: incitar contra a mãe. "Mãe é má, ela não deixa eu ir até você". A menina cai em uma armadilha. Ela ama a mãe e ouvir algo ruim sobre ela é doloroso. Ela pode começar a mentir para agradar os dois. Ou se fechar.
Erro nº 4: não se interessar pela sua vida. Perguntar apenas pelas notas, a disciplina. Ignorar as amigas, os interesses, os sonhos. A menina se sente inútil.
Erro nº 5: invasão do espaço pessoal. Ler mensagens, invadir a sala sem chamar, interrogar sobre os meninos. Aos 10 anos, isso provoca raiva.
Erro nº 6: violência física ou gritaria. Mesmo uma vez, é uma ferida para a vida toda.
Regularidade sem pressão. Acordem com a filha sobre um dia fixo (por exemplo, sábado), mas se ela quiser passar uma vez por mês, não culpe. Deixe ser livre.
Interesse pelo seu mundo. Pergunte o que está na música dos fones dela, quais vídeos ela assiste, do que ela fala com as amigas. Não critique. Mesmo se for um "tiktok tolo". Vejam juntos, discutam.
Atividades em conjunto não "para aparecer". Não é necessário ir ao cinema. Você pode cozinhar juntos, andar de bicicleta, jogar jogos de mesa. Faça o que ela gosta.
Respeite a mãe. Não critique em frente à filha. Se houver ressentimentos, discuta com adultos sem a criança. A menina deve ver que você sabe conciliar.
Fale sobre sentimentos. "Eu sinto saudade de você", "Estou orgulhoso de você", "Temo que você não queira me ver". Seja sincero. A menina vai apreciar.
Se você morar longe: converse por vídeo 2-3 vezes por semana. Não apenas "como vai?", mas "vamos mostrar o que você desenhou", "leia um poema para mim". Leiam um livro juntos.
Não impedir a comunicação. Mesmo se você estiver ofendido com o ex-marido, não se vingue através da filha. Ela tem o direito de ter o pai. Não diga: "papa não te ama", "ele nos abandonou".
Não exagere a si mesma em comparação com o pai. "Eu te alimento, cuido, enquanto ele se diverte". Isso provoca o sentimento de culpa da filha em relação ao pai. Ela deixará de se alegrar com as reuniões.
Encoraje a filha a falar sobre suas reuniões com o pai. Pergunte: "O que vocês fizeram? O que você aprendeu?". Não ciúme. Se a filha não quiser falar, não force.
Procure um psicólogo se a filha se tornar agressiva ou chorosa após as reuniões com o pai. Pode ser que o pai esteja ultrapassando os limites. Mas primeiro, verifique.
Se o pai pagar pensão alimentícia, é bom. Não peça mais, mas não recuse se oferecer ajuda.
Situação: o pai se mudou, não liga, não paga, não chama para visitar. A menina sofre. Como ajudar?
Não desmereça: "Pai é um idiota, esqueça". Isso é um veto aos sentimentos. Diga: "Entendo que você está com dor. Também estou com dor por você. Isso não é sua culpa".
Ofereça escrever uma carta para o pai (não enviar, mas para si mesma). Exalar a raiva. Pode desenhar, dançar, gritar no travesseiro.
Encontre uma figura masculina. Avô, tio, treinador. Alguém que vai dedicar tempo, elogiar, ensinar. Isso não substitui o pai, mas ajuda.
Procure um psicólogo. A menina precisa trabalhar a perda.
Em 2026, há grupos de apoio para crianças com pais que vivem separadamente (online e offline). Em Moscou, o centro "Infância sem Fronteiras".
Segundo a lei da Rússia, o pai tem o direito de comunicação com o filho. Se a mãe impedir, o pai pode apresentar uma ação para determinar a ordem de comunicação. O tribunal determinará o horário (por exemplo, todas as segundas-feiras, durante o verão um mês).
Após os 10 anos, o tribunal é obrigado a ouvir o parecer da criança. Se a menina disser que não quer ver o pai, o tribunal pode limitar as reuniões. Mas geralmente o parecer de 10 anos não é decisivo.
Pensão alimentícia: o pai é obrigado a pagar até os 18 anos, mesmo se for privado dos direitos. A evasão pode levar a uma pena criminal (artigo 157 do Código Penal).
Em 2026, há mediação - reconciliação das partes através de um psicólogo. Pode ajudar a evitar o tribunal.
Se o pai violar o horário, a mãe pode apresentar uma queixa à tutela. Se o pai raptar a criança, à polícia.
Pai Alexey, 42 anos, filha Dasha, 11 anos. Divorciados há 7 anos. Vivem em cidades diferentes. Alexey liga todos os dias às 20:00. Eles jogam xadrez online, discutem livros. No verão, Dasha visita o pai por um mês. "Ela é minha princesa, eu sou seu cavaleiro", diz Alexey.
Pai Sergey, 38 anos, filha Vik, 12 anos. Vivem na mesma cidade, mas se encontram uma vez por semana. Sergey leva Vik para o piscina, ensinou ela a andar de roller. "Eu não tento comprar seu amor com presentes. Eu só estou ao seu lado".
Pai Dmitry, 45 anos, filha Olya, 10 anos. Dmitry não se comunicava por muito tempo (morava no exterior). Voltou quando Olya tinha 9 anos. No início, a menina não queria se encontrar. Dmitry não pressionou. Vivia na escola, esperava após as aulas, saudava. Após seis meses, Olya concordou em um chá. Hoje, eles são amigos.
Essas histórias provam: nunca é tarde para estabelecer uma conexão. Se houver desejo.
Após os 10 anos, a filha não para de precisar do pai. Ela precisa de algo diferente. Não de proteção, mas de aceitação. De um amigo mais velho. De um protetor que não sufoca. Pais, não desistam. E que seus domingos sejam cheios não de um sentimento de dever, mas de alegria de comunicação.
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