28 de maio — o dia em que o mundo lembra: a saúde das mulheres não é apenas sobre parto e ginecologia. É sobre coração, ossos, hormônios, estresse, violência, nutrição. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres é celebrado desde 1987. Não é um dia vermelho no calendário, mas muito importante. Porque as mulheres adoecem de maneira diferente dos homens. E muitas vezes, ficam em silêncio.
O objetivo é chamar a atenção para problemas que não são falados. Câncer de mama, endometriose, câncer de colo do útero, depressão pós-parto, menopausa, violência doméstica. As mulheres se envergonham, têm medo, procrastinam a consulta ao médico. E, em consequência, as doenças começam.
Segundo, a desigualdade na medicina. Até recentemente, todos os medicamentos eram testados em homens e, em seguida, administrados às mulheres em doses menores. E o metabolismo das mulheres é diferente. O ataque cardíaco em mulheres não se manifesta como no homem — não dor no peito, mas náusea, fadiga, dor na mandíbula. Os médicos muitas vezes não reconhecem.
Terceiro, a acessibilidade. Nas nações pobres, as mulheres não podem pagar absorventes, tampones, contraceptivos, exames. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres é um lobby por medicina gratuita, educação sanitária, luta contra o casamento infantil e operações mutilantes (circuncisão feminina).
De acordo com a OMS, os principais assassinos de mulheres na faixa etária de 30 a 70 anos são: doenças cardiovasculares (infartos, AVCs), câncer de mama, câncer de pulmão (fumo), diabetes tipo 2 (obesidade), depressão e suicídio. Nas nações pobres, complicações de gravidez e parto, HIV/AIDS, tuberculose.
O câncer de colo do útero é o quarto câncer mais comum entre mulheres. É causado pelo vírus do papiloma humano (HPV). Mas pode ser prevenido pela vacinação de meninas adolescentes e exames regulares (Papanicolau). Em muitos países, a vacinação é gratuita. Na Rússia, é paga, mas desde 2024, em algumas regiões, foi incluída no calendário de vacinas.
A endometriose é uma doença na qual as células do endométrio se espalham além de suas fronteiras. Cada décima mulher sofre, mas o diagnóstico é feito em média após 7 anos. Sintomas: dores durante a menstruação, esterilidade. O tratamento é caro. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres visa quebrar o mito de “sucumbir, você é mulher”.
Mulheres têm 2-3 vezes mais depressão e transtornos de ansiedade do que homens. Causas: flutuações hormonais (Síndrome pré-menstrual, gravidez, menopausa), dupla carga (trabalho + lar), violência, discriminação, perfeccionismo. A depressão pós-parto afeta uma em cada cinco mulheres. Mas muitas têm medo de admitir, acreditam que “perderam a sanidade”.
Transtornos alimentares (TCA) — anorexia, bulimia — também são doenças femininas. O culto à beleza, corpos perfeitos no Instagram, dietas desde os 12 anos. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres lembra: magreza não é sempre saúde. Peso normal e boas relações com a comida são o objetivo.
É importante: não ter medo de ir ao psicólogo e psiquiatra. As mulheres devem saber que isso não é vergonhoso.
Regra número 1: fazer exames preventivos regularmente. Anualmente — ginecologista, mamologista (a partir dos 40 anos mamografia), terapeuta. Fazer exames de sangue geral, verificar a tireoide (TSH), nível de vitamina D, ferro (ferritina). Fazer o exame de citologia oncológica.
Regra número 2: ouvir o corpo. Não tolerar a dor. Não atribuir fadiga ao “tudo bem assim”. Se a menstruação ficou mais abundante, apareceram dores, não esperar, ir ao médico.
Regra número 3: atividade física. 150 minutos por semana — caminhada, natação, ioga, dança. Isso reduz o risco de câncer de mama em 20%, depressão em 30%.
Regra número 4: alimentação saudável. Mais vegetais, frutas, grãos integrais, peixe. Menos açúcar, gorduras trans, carne vermelha. Não jejuar e não comer em excesso.
Regra número 5: sono de 7-8 horas. O corpo feminino é especialmente sensível ao sono insuficiente — desequilíbrio hormonal, ganho de peso, piora da memória.
Em diferentes países — ações. Na Índia: acampamentos gratuitos para o screening de câncer de mama. Mammógrafos móveis viajam pelas aldeias. No Quênia: distribuição de contraceptivos e treinamento de meninas para usar absorventes. No Brasil: flashmob em parques — mulheres fazem exercícios de Kegel todas juntas (divertido e útil).
Na Europa e nos EUA: manifestações por direitos reprodutivos — acesso ao aborto, contracepção, férias de maternidade dignas. Na Rússia: corridas de caridade em camisetas rosa (em apoio aos doentes de câncer de mama). Palestras online de médicos sobre saúde feminina.
Nas redes sociais, flashmob com hashtags #WomensHealthDay, #SaúdeDasMulheres. Mulheres compartilham suas histórias de doenças para que outros não tenham medo.
Mães de crianças pequenas muitas vezes esquecem de si mesmas. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres é um lembrete: fadiga, irritabilidade, queda de cabelo, fissuras nas unhas, problemas com os dentes não são normais. Verifique a tireoide, o hemoglobina, o ferro (ferritina), a vitamina D. A depressão pós-parto não é vergonhosa, pode ser tratada.
Não recuse ajuda. Pode ser o marido, a avó, a amiga que ficará com o bebê. Reserve uma hora por semana para você — academia, livro, banho. Isso não é egoísmo, é investimento em saúde.
E lembre-se: a saúde da mulher é a saúde da família inteira. As crianças aprendem os hábitos da mãe.
A violência doméstica também é saúde. Hematomas, fraturas, medo constante, transtorno pós-traumático. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres chama os governos a adotar leis contra a violência doméstica. Na Rússia, ainda não há tal lei. Mas há um artigo penal por lesões (artigo 116 do Código Penal russo) e por tortura (artigo 117). Se você é espancado, não fique em silêncio. Ligue para 112. Registe as lesões no pronto-socorro. Escreva um relatório à polícia.
A circuncisão feminina é uma prática bárbara na África e Ásia. Cala milhões de meninas. A OMS luta contra isso. 28 de maio é o dia de informar sobre isso.
O casamento infantil: meninas são dadas em casamento aos 10-12 anos, começam a engravidar cedo, há alto risco de morte. O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres chama para acabar com essa prática.
Mito 1: Tomar contraceptivos hormonais é prejudicial, eles fazem engordar. Verdade: as pílulas modernas com baixas doses de hormônios não causam ganho de peso. Além disso, reduzem o risco de câncer de ovário e endométrio.
Mito 2: O câncer de mama pode ser “sentido” sozinha. Verdade: o autoexame não é eficaz. É necessário mamografia após os 40 anos e ultrassom antes dos 40.
Mito 3: É preciso engravidar até os 25, senão é tarde. Verdade: a medicina moderna permite engravidar até os 40. O importante é um estilo de vida saudável.
Mito 4: Após a menopausa, o sexo não é necessário. Verdade: é necessário e útil. Produtos hidratantes e cremes hormonais resolvem o problema da secura.
Mito 5: Gestantes não podem ir ao dentista. Verdade: podem e devem. Os dentes são tratados a partir do segundo trimestre com anestésicos seguros.
O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres não é apenas sobre mulheres. Homens, vocês podem: assumir parte das tarefas domésticas para que a esposa descanse. Não desvalorizar sua dor (“só está cansada”). Ajudar a marcar a consulta ao médico, destinar dinheiro para exames. Ler sobre os sinais de infarto feminino e contar à esposa.
Se você tiver filhas, ensine-as a cuidar do corpo desde a infância. Não se envergonhar do período menstrual, não proibir falar sobre sexo, vacinar contra o HPV (após consultar o médico). Não brincar sobre “doenças femininas”.
O parceiro pode fazer o exame junto com a esposa — isso é apoio.
Marcar uma consulta com o ginecologista ou mamologista, se há muito tempo não foram. Fazer radiografia de tórax. Fazer exames. Comprar absorventes na farmácia e doar para o centro de crise feminina. Compartilhar uma postagem sobre saúde feminina nas redes sociais. Ligar para a mãe ou amiga e perguntar: “Como está sua saúde? Já foi ao médico há muito tempo?”.
Se você puder — transferir dinheiro para um fundo que ajuda mulheres com câncer de mama. Por exemplo, “Dê vida” ou “Saúde Feminina”.
Se você for médico — conducting uma palestra gratuita ou webinar. Ou pelo menos, não fique em silêncio sobre os problemas.
E o mais importante: parar de tolerar. Parar de pensar “passará”. Sua saúde está nas suas mãos.
O Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres não é outro dia formal. É uma oportunidade para parar e perguntar-se: “Estou em ordem?”. Fazer uma respiração profunda. Exalar. E ir ao médico. Não amanhã, não na segunda-feira, mas em 28 de maio ou na semana seguinte. Porque a mulher não é apenas mãe, esposa, trabalhadora. É um ser humano que tem o direito a uma vida saudável. Sem dor, sem medo, sem vergonha.
Cuide-se. E que 28 de maio seja o dia em que você começará uma nova, mais cuidadosa, fase da sua vida.
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