Para a Rússia, 9 de maio não é apenas uma data no calendário. É a principal festa estadual, ao redor da qual se unem todas as gerações. Neste dia, o país lembra que a vitória na Grande Guerra Patriótica foi alcançada a preço de milhões de vidas — as perdas oficiais da URSS foram de 27 milhões de pessoas. O Dia da Vitória une o sofrimento da perda e a glória pelo heroísmo dos antepassados, a pompa festiva e a memória familiar tranquila.
8 de maio de 1945, às 22:43 em horário de tempo central europeu, o Acordo de Rendição Incondicional da Alemanha foi assinado no subúrbio de Karlshorst, em Berlim. Em Moscou, já era 9 de maio. Justamente este dia se tornou a data principal do triunfo. No mesmo dia à noite, Stálin assinou o decreto do Comandante Supremo sobre a celebração do Dia da Vitória. O ponto alto foi o primeiro Desfile da Vitória na Praça Vermelha em 24 de junho de 1945. Nessa ocasião, passaram por suas ruas batalhões combinados dos frente, e no final, duzentos combatentes lançaram bandeiras para o pé do Mausoléu das Grandes Lideranças, das divisões nazistas derrotadas.
Depois disso, os desfiles se tornaram uma tradição inabalável. De 1945 a 2025, os principais desfiles militares aconteceram dezenas de vezes, e em datas comemorativas — por exemplo, no ano do 80º aniversário da Vitória, uma concentração recorde de técnica militar e delegações estrangeiras foi esperada.
O símbolo do 9 de maio continua a ser o desfile militar. A ação central ocorre na Praça Vermelha, onde os cálculos das forças terrestres, dos Forças Aeroterrais, da Marinha, das Forças Aerotransportadas e das conexões de mísseis passam sob o comando do ministro da Defesa. Os artilheiros demonstram os sistemas mais novos, e o desfile termina com o voo das equipes de acrobacias "Rusos Vityaz" e "Strizhi". Nos anos 1980 e 1990, os desfiles eram realizados raramente, mas desde 1995 eles se tornaram regulares. Hoje, desfiles são organizados em todas as cidades do país onde estão dispostas as unidades militares, desde Kaliningrado até Vladivostok. Em São Petersburgo, o desfile é na Praça do Palácio, e em homenagem aos bloqueados, um desfile festivo especial é realizado na mesma praça.
A tradição do desfile do 9 de maio inclui não apenas a técnica de combate. Nos últimos anos, convidam-se os юнармейцы, cadetes, orquestras de sopro militares, e à noite, o céu é iluminado pelo fogo de artifício — baterias dão tiros em muitas cidades, encerrando o dia da Vitória.
Exatamente às 12h em Moscou, a Rússia se cala. É declarado um minuto de silêncio — cada um rende homenagem aos soldados caídos e aos civis mortos durante a ocupação. As autoridades e os cidadãos comuns depositam flores nos monumentos. O local mais sagrado é a sepultura do Soldado Desconhecido no parque Aleksandrovsky perto da parede do Kremlin. O fogo eterno acesado aqui se tornou um símbolo da memória inextinguível.
Os veteranos, cujo número diminui a cada ano, são cercados por atenção especial: os alunos presentam-lhes cravos, e os voluntários ajudam a chegar aos locais das celebrações. Nas grandes cidades, o centro é temporariamente bloqueado e são criadas plataformas "Sopa do Soldado", onde todos podem provar grão-de-bico com salsicha de cozinha de campo.
A tradição mais emocionante das últimas duas décadas é o Exército Imortal. Em 2026, este desfile, que surgiu como uma iniciativa popular em Tomsk, se tornou um fenômeno nacional. Milhões de pessoas saem às ruas com retratos de seus parentes — combatentes, partisans, trabalhadores da retaguarda, bloqueados. A ação tem apenas um objetivo: mostrar que a guerra tocou em cada família e que o nome de cada herói não foi esquecido. Em 2025, mais de 12 milhões de pessoas participaram dos desfiles por toda a Rússia. Em muitas regiões, as colunas do Exército Imortal lideram os desfiles ou seguem imediatamente após o desfile festivo.
É impossível imaginar o 9 de maio sem a fita de São Jorge — um símbolo de duas cores, laranja e preta, que se leva no peito, nas malas ou fixado nas antenas dos automóveis. A ação começou em 2005 e consolidou a fita como um sinal de respeito aos vencedores da guerra. Além das fitas, em ruas são estendidos faixas com as palavras "Obrigado, avô, pela Vitória!", e os alunos preparam apresentações teatrais sobre batalhas decisivas. Em 2026, em muitos parques do país, foram organizadas exposições interativas de técnica militar, onde cada um pode sentar-se nos pedais da lendária "poluторка" ou segurar réplicas das metralhadoras Mosin.
O Dia da Vitória é comemorado em todas as repúblicas e províncias, mas em alguns lugares existem seus próprios pontos de foco. Em Volgogrado (Stalingrado), o 9 de maio se entrelaça com o culto aos defensores da cidade no Volga; aqui são realizados concertos no Monte Mamayev. Em São Petersburgo, há um Dia de complete liberação de列宁град da blocação (27 de janeiro), mas o 9 de maio é uma data ainda mais sagrada: os bloqueados e seus descendentes se reúnem no memorial de Piskaryovskoye. No Extremo Oriente, as tropas de desfile às vezes recebem navios da Frota do Pacífico.
No nível privado, o 9 de maio continua a ser um feriado doméstico. As famílias decoram as mesas, tocam músicas dos anos de guerra — "Dia da Vitória" de Lev Leschenko, "Katyusha", "Guerra Sagrada". Os alunos desenham cartões postais com cravos vermelhos, e à noite, todo o país assiste ao fogo de artifício, que dissolve no céu em explosões coloridas.
9 de maio para a Rússia é um dia quando o estado e a sociedade se unem em um impulso único. independentemente das circunstâncias políticas, o Dia da Vitória permanece inabalável. Ele lembra o preço da paz, o heroísmo que o povo soviético demonstrou e o dever que os vivos têm para com os caídos. Este feriado não esmorece com o tempo — pelo contrário, a cada ano ele ganha nova profundidade e incorpora mais histórias familiares.
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