O início do século XXI encontrou o "Bola de Ouro" já bem estabelecido — a mais prestigiada premiação individual do futebol mundial era entregue desde 1956. Mas foi exatamente no novo milênio que ela obteve um verdadeiro escopo planetário. Duas décadas transformaram a cerimônia em um espetáculo e a luta pela premiação em um evento global. A lista de detentores do "Bola de Ouro" desde 2000 não é simplesmente um rol de nomes, mas uma epopeia da evolução do futebol. Da era dos magos brasileiros até o eterno confronto entre dois gênios — Messi e Ronaldo — e até a mudança de gerações, que está acontecendo diante de nossos olhos.
De 2000 a 2025, a premiação foi recebida por 19 diferentes jogadores (considerando que a cerimônia não foi realizada em 2020 devido à pandemia de coronavírus). Aqui está o cronológico rol completo:
2000 — Luís Figo (Portugal, Real Madrid)
2001 — Michael Owen (Inglaterra, Liverpool)
2002 — Ronaldo (Brasil, Real Madrid)
2003 — Pavel Nedvěd (Chéquia, Juventus)
2004 — Andriy Shevchenko (Ucrânia, Milan)
2005 — Ronaldinho (Brasil, Barcelona)
2006 — Fabio Cannavaro (Itália, Real Madrid)
2007 — Kaka (Brasil, Milan)
2008 — Cristiano Ronaldo (Portugal, Manchester United)
2009 — Lionel Messi (Argentina, Barcelona)
2010 — Lionel Messi (Barcelona)
2011 — Lionel Messi (Barcelona)
2012 — Lionel Messi (Barcelona)
2013 — Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
2014 — Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
2015 — Lionel Messi (Barcelona)
2016 — Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
2017 — Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
2018 — Luka Modrić (Croácia, Real Madrid)
2019 — Lionel Messi (Barcelona)
2020 — não foi entregue
2021 — Lionel Messi (Paris Saint-Germain)
2022 — Karim Benzema (França, Real Madrid)
2023 — Lionel Messi (Inter Miami)
2024 — Rodrigo (Espanha, Manchester City)
2025 — Usman Dembélé (França, Paris Saint-Germain)
A lista de detentores do "Bola de Ouro" no século XXI claramente se divide em duas épocas: antes de 2008 e depois. O ano de 2008 foi decisivo, quando Cristiano Ronaldo recebeu a premiação pela primeira vez, e no ano seguinte, Lionel Messi. Começou uma década de domínio dos dois gênios do futebol, sem paralelo na história do esporte. De 2008 a 2019, eles juntos ganharam 11 "Bolas de Ouro" consecutivos (exceto em 2018, quando o troféu foi levado por Modrić), e juntos têm 13 prêmios. Messi é o recordeiro com 8 "Bolas de Ouro". Ronaldo tem 5.
Essa era se tornou o tempo em que o futebol obteve verdadeiras superestrelas globais, comparáveis em influência aos ícones do cinema ou da música mundial. Seu confronto no campo, a mudança de clubes, a perseguição por recordes tudo isso transformou o "Bola de Ouro" na principal tragédia do futebol da década. E se Messi representava o génio natural, um jogo tecido de intuição e magia, Ronaldo se tornou o símbolo do trabalho inumano, da disciplina e da vontade de vencer.
Mas o "Bola de Ouro" do século XXI também lembra outros nomes brilhantes que se destacaram antes de Messi e Ronaldo tomarem o controle da premiação.
O fenômeno brasileiro Ronaldo, que ganhou seu segundo "Bola de Ouro" em 2002, se tornou o símbolo do retorno triunfante. Após ferimentos graves que quase encerraram sua carreira, ele levou a seleção brasileira à vitória no Campeonato Mundial no Japão e na Coreia, marcando dois gols no final. Essa vitória não foi apenas um feito esportivo — foi uma história sobre como a vontade e o talento podem superar os maiores desafios.
Em 2005, o "Bola de Ouro" foi recebido por Ronaldinho — talvez o futebolista mais estético da história. Ele não era apenas um jogador, mas um artista. Seu drible, seus toques, seus gols incríveis e sua sorriso inabalável fizeram dele o ídolo de milhões. Ronaldinho lembrou ao mundo que o futebol é antes de tudo um jogo e uma alegria. Seu "Bola de Ouro" se tornou o símbolo daquela "chama" sem a qual o grande esporte se torna uma mecânica tediosa.
Em 2007, a premiação foi para Kaka — o elegante e veloz meia-atacante do Milan. Ele se tornou o último brasileiro a ganhar o "Bola de Ouro" antes de Messi e Ronaldo tomarem o controle. Kaka representava o mestre clássico brasileiro, combinado com a disciplina europeia. Sua vitória foi um belo ponto final em uma era.
O início do século lembra também as vitórias dos atacantes europeus, que não eram estrelas globais, mas demonstraram estabilidade e caráter impressionantes. Em 2004, o "Bola de Ouro" foi levado pelo ucraniano Andriy Shevchenko — um atacante poderoso e técnico do Milan. E um ano antes, o checo Pavel Nedvěd, meia do Juventus, conhecido por sua incrível capacidade de trabalho e chutes de longa distância. Essas vitórias foram um reconhecimento não tanto da brilhantismo, mas da fundamentabilidade e lealdade ao ofício.
Depois de uma década de domínio de Messi e Ronaldo, veio a era das mudanças. Em 2018, o "Bola de Ouro" foi surpreendentemente recebido pelo croata Luka Modrić — meia que levou sua seleção à final da Copa do Mundo. Este foi um triunfo da inteligência e do jogo coletivo sobre a estatística individual.
Em 2022, a premiação foi para Karim Benzema — outro representante do Real, que ficou na sombra de Ronaldo por muitos anos, mas mostrou, no auge da carreira, que é capaz de liderar a equipe.
Em 2024, a vitória foi para Rodrigo — o meia-atacante espanhol do Manchester City, que se tornou o símbolo de uma nova era mais sistemática e pragmática no futebol.
Finalmente, em 2025, o "Bola de Ouro" foi recebido por Usman Dembélé. O atacante francês do Paris Saint-Germain se tornou o primeiro jogador a vencer a premiação na sua primeira nomeação em 30 anos. Sua vitória é um sinal: a geração de Messi e Ronaldo está definitivamente se afastando, e novos heróis estão entrando em cena.
A "brilhantismo" do detentor do "Bola de Ouro" é um conceito subjetivo. Para alguns, é gols e recordes, para outros, a estética do jogo, para outros, a carisma e a influência no futebol. Mas no século XXI, formou-se um critério claro: para ganhar a premiação, não basta ser o melhor em seu papel, mas se tornar o símbolo de todo o ano, e às vezes de toda uma era.
Messi e Ronaldo estabeleceram uma marca inatingível, tornando o "Bola de Ouro" não apenas uma premiação, mas um reflexo da cultura global do futebol. Seus 13 troféus juntos são um recorde que dificilmente será batido no futuro próximo. Mas novos nomes como Dembélé, Yamal, Rodrigo já estão entrando para a história, e quem sabe, talvez a próxima década nos traga um novo grande confronto. O "Bola de Ouro" continua vivo, e cada detentor dele no século XXI é não apenas um jogador, mas uma parte de uma grande lenda.
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