13 de junho (no novo estilo) A Igreja Ortodoxa celebra a memória do Santo Niciforo, Patriarca de Constantinopla. Este santo viveu nos séculos VIII e IX — na era do iconoclastismo, quando os imperadores bizantinos destruíam as santas imagens e os fiéis por sua fidelidade a elas eram exilados e executados. Niciforo não era um teólogo profissional, mas se tornou um defensor da fé, protetor das imagens e autor de trabalhos importantes. Sua vida é um exemplo de coragem, sabedoria e de como um leigo pode se tornar um santo. Contaremos sobre ele sem uma agiografia seca.
O Santo Niciforo nasceu por volta de 758 em Constantinopla em uma família de funcionário. Ele também seguiu uma carreira estatal, alcançando o cargo de secretário do imperador (sob Leão IV). Ele estava casado. Mas sua carreira foi interrompida quando o imperador Leão V Armenio implementou o iconoclastismo (815). Niciforo, apesar de ser um leigo, se manifestou abertamente contra a heresia. Ele foi enviado em exílio a um mosteiro, onde ele recebeu o tonsura. Sua esposa, provavelmente, morreu naquela época. Em exílio, ele viveu uma vida rigorosa, estudou teologia, escreveu tratados em defesa da iconografia.
Apesar de não ser um padre, a profundidade de sua piedade e sua erudição atraíram a atenção dos círculos eclesiásticos. Em 806, ele foi eleito Patriarca de Constantinopla (isso foi antes do iconoclastismo, sob o imperador Niciforo I Geníceo). Durante esse período, ele se dedicou à administração eclesiástica, lutou contra a heresia dos fideópatas (ensinamento de que Deus sofreu). No entanto, o principal teste veio mais tarde. Em 815, o imperador Leão V renovou o iconoclastismo. Niciforo convocou um sínodo que confirmou o culto às imagens. Então ele foi preso, deposto e enviado em exílio para a ilha de Próconnes (Mar de Marmara). Lá ele passou 13 anos, até sua morte em 828.
As principais obras de Niciforo: "Apologética" (defesa das imagens), "Três Discursos sobre as Santas Imagens", "Breviário" (história universal do mundo desde a criação até 769, uma fonte histórica valiosa). Ele também escreveu vidas de santos, hinos. Em suas obras, Niciforo distingue com precisão o culto (latréia — apenas a Deus) e o culto (proskynesis — às imagens). Ele se baseou nos pais da Igreja (Basilio Magno, João Crisóstomo). O Sétimo Concílio Ecumênico (787) já havia proclamado o iconodóxismo como dogma, mas Niciforo teve que provar essa verdade diante dos iconoclastas novamente. Seus trabalhos foram usados posteriormente na restauração final do iconodóxismo em 843 (Triunfo do Ortodoxismo).
A exílio do Santo Niciforo foi difícil: lhe proibiram livros, utensílios escritórios, visitas aos parentes. Mas ele não se rendeu. Chegaram até nós suas cartas para amigos e seguidores, escritas em cortiça e seda (faltava papel). Em uma dessas cartas, ele escreve: "Escrevo-lhe isso em segredo, pedindo que guardem a verdade". Ele morreu em 828, sem viver até a vitória. Seus restos foram transferidos para Constantinopla em 846, após a derrota final do iconoclastismo. Atualmente, eles repousam na Catedral de Santa Sofia em Istambul (atualmente um museu), mas parte dos seus restos está em diferentes igrejas.
O Santo Niciforo é especialmente venerado na Igreja Ortodoxa. Sua memória também é celebrada em 2 de junho (no estilo antigo). Em Rusia, ele é dedicado a templos (por exemplo, em São Petersburgo, em Kazan). Na tradição ocidental (catolicismo), sua memória não é eclesiástica, mas ele é venerado como um defensor da fé. O nome Niciforo é frequentemente dado a meninos ao serem batizados.
No século XXI, quando a fé novamente está sob perseguição em alguns países, o exemplo de Niciforo nos inspira. Ele não era nem um eremita nem um obcecado por denúncias. Ele era um homem de ação: um funcionário bem-sucedido, então um pastor, e finalmente um defensor da fé. Ele não temia perder seu status e vida. Seus escritos em exílio são um exemplo de firmeza. Também é importante que ele não se dedicasse a autodefesa, mas continuasse a teologizar, apoiando assim os outros. Para o cristão moderno, o Santo Niciforo é um exemplo de como combinar inteligência, fé e posição cívica, sem cair no fanatismo.
Nas imagens, o Santo Niciforo é representado como um velho sábio em roupas patriarcais (sakkos, omofor), com o Evangelho na mão. Frequentemente, ele é representado junto com outros pais iconodóxos (por exemplo, Teodoro o Estudita). Geralmente, na imagem, ele bençoe. O dia da memória é 13 de junho, quando no hemisfério norte é verão e as igrejas são decoradas com verde.
O Santo Niciforo, Patriarca de Constantinopla, não é a figura mais proeminente, mas uma das mais importantes na história da Ortodoxia. Ele mostrou que até na prisão e no exílio é possível ser um vencedor. Seus trabalhos ajudaram a Igreja a defender a verdade. No dia da sua memória, é bom ler seu "Discurso sobre o Iconodóxismo" ou, pelo menos, lembrar-se da coragem dos que não traíram a fé.
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