No calendário hindu, há dias de força especial. Um deles é o Pádmíni Ekádashi. É o décimo primeiro dia lunar (ekádashi) na metade clara do mês de Aşadha (junho-julho). Em 2026, o Pádmíni Ekádashi cai em 25 de maio. Acredita-se que esse dia purifica de todos os pecados, traz sorte e ajuda a obter riqueza. Mas o que está por trás disso? Por que milhões de pessoas jejunam e rezam exatamente nesse dia? Vamos entender.
«Ekádashi» é traduzido do sânscrito como «onze» (éka — um, daśa — dez). É o décimo primeiro dia após a lua cheia ou nova. Acredita-se que é justamente nesse dia o impacto da Lua no espírito humano é máximo e é mais fácil se abster dos desejos mundanos.
«Pádmíni» significa «lótus». Em um sentido figurativo, «puro», «sagrado», «dando prosperidade espiritual». Pádmíni Ekádashi é aquele ekádashi que é semelhante ao lótus que cresce na lama do mundo material, mas permanece inmaculado.
Escritos sagrados (Pádmá Púraná, Bhávísha Púraná) dizem que observar o Pádmíni Ekádashi traz um resultado igual ao de doar mil vacas ou realizar centenas de ašvamedha-ягъyas (oferta de cavalos). É uma afirmação forte, mas para os crentes é sério.
A data flutuante, depende do ciclo lunar. Geralmente é o final de maio — início de junho. Em 2026 — 25 de maio. O jejum é observado do nascer do sol de 25 de maio até o nascer do sol de 26 de maio. Em algumas tradições, o jejum começa à noite do dia anterior (24 de maio), quando a Lua entra no signo correspondente.
Importante: os ekádashi variam para diferentes latitudes geográficas. Para o hemisfério norte, as datas podem se deslocar. Melhor verificar no templo local ou no site do calendário pancháng.
O Pádmíni Ekádashi ocorre no período em que a natureza está repleta de vida, tudo está florindo. Acredita-se que a energia desse dia é especialmente forte.
O principal é o jejum (upavása). Existem três níveis. Rigoroso: abstenção total de comida e água (nírjala ekádashi). Médio: abstenção de cereais e leguminosas, pode haver raízes, frutas, nozes, leite. Leve: abstenção de carne, peixe, ovos, alho, cebola, cogumelos (vegetarianismo nesse dia).
A maioria dos crentes escolhe o nível médio. Comem uma vez por dia — ao meio-dia. O que pode: batata, abóbora, pepino, tomate, coco, nozes, cashews, figos, leite, queijo (pânir). O que não pode: arroz, trigo, milho, leguminosas, mel, óleo de cereais, folhas de algumas plantas (por exemplo, coentro).
Importante não é apenas o jejum, mas também a oração. Nesse dia, lê-se o «Pádmíni Ekádashi-vrata kat há» — a história do rei Mandhát, que, observando esse jejum, obteve o reino. Cantam kírtanas, visitam templos, ouvem a leitura de livros sagrados.
Em 2026, muitos farão jejum online — através de transmissões de templos, leitura de mântras em casa.
Segundo os Púranas, o deus da morte Yamarája disse: «Aqueles que observam o Pádmíni Ekádashi são liberados de todos os pecados, mesmo do assassinato de um brâhmán». Em outra história: o rei Mandhát, um governante justo, mas que sofria pela falta de um filho e de riqueza, recorreu ao sábio Vasishtha. Ele aconselhou-o a observar o Pádmíni Ekádashi. O rei e a rainha jejuaram, rezaram, distribuíram esmola. Após um ano, eles tiveram um filho e o tesouro se encheu de ouro.
Também é mencionada a história de um brâhmán que violava todas as regras, mas no dia do Pádmíni Ekádashi acidentalmente jejuou (não havia comida). Ele se arrependeu dos pecados e subiu aos céus. A moral: até mesmo a observação não consciente traz frutos.
Para os vishnavís (devotos de Krishna), o Pádmíni Ekádashi é especialmente importante. Ele pertence ao ciclo «Purusottama-másha» (mês suplementar, adicionado a cada 2-3 anos para sincronizar o calendário lunar e solar). Em 2026, é exatamente esse mês, que reforça o significado.
No nível físico: o jejum dá descanso ao sistema digestivo, limpa o corpo. No nível energético: a abstenção de comida muda o foco do corpo para o espírito. A pessoa pensa menos sobre comida, mais sobre oração.
No hinduísmo, acredita-se que no dia do ekádashi a Lua influencia a mente (manas). A mente fica perturbada. O jejum e a oração ajudam a acalmar as flutuações da mente, a transcendir os desejos materiais.
O Pádmíni Ekádashi é chamado de «lótus» porque ele dá força para se separar da lama (pecados) e florescer em pureza. É uma chance de recarregar, deixar hábitos ruins, começar uma nova vida.
No mundo moderno, onde as pessoas comem constantemente, sem distinguir dia e noite, até mesmo um dia de abstenção é um feito. E ele muda a consciência.
No norte (Uttar Pradesh, Punjab) é observado rigorosamente. As pessoas não bebem nem água (nírjala). Os templos estão abertos desde as 4h da manhã até meia-noite. Em Mathura e Vrindávan (lugares relacionados com Krishna), ocorrem kírtanas massivos.
No sul (Tamil Nadu, Karnataka) o jejum é mais suave: pode beber água, frutas, leite. Especial atenção é dada à leitura do «Vishnu-sahasranáma» (mil nomes de Vishnu).
No oeste (Gujarát, Maharashtra) nesse dia são preparados pratos especiais para o frigir (sabudána khichdi, doces em forma de pão, leite de coco).
Na Rússia, o Pádmíni Ekádashi é observado principalmente por seguidores do vishnavismo. Em Moscou, São Petersburgo, Ekaterinburgo há templos onde são realizados jejuns coletivos e orações. Qualquer pessoa pode se juntar, mesmo que não seja hindu.
Pode: levantar antes do nascer do sol (preferível entre 4h e 5h da manhã), tomar banho (água fria), usar roupas limpas de tons claros, passar tempo em meditação, ler mântras (especialmente «Om Namo Bhagavate Vasudevayá»), ouvir músicas espirituais, doar comida aos pobres (mesmo no jejum).
Não pode: comer cereais e leguminosas (aveia, arroz, trigo, cevada, lentilha, feijão), bem como carne, peixe, ovos, alho, cebola, cogumelos, mel, beber álcool, fumar, dormir durante o dia (considerado que anula o efeito do jejum), barbear, cortar unhas, praticar sexo, se irritar, xingar, mentir.
Se violar — pode se arrepender, mas o efeito diminui. No entanto, é melhor não começar do que começar e desistir.
No dia (24 de maio), comer até o ponto de saciedade, mas levemente: vegetais frescos, frutas, leite. Excluir carne, alho, cebola. É importante não comer em excesso. À noite, perdoar todos que o ofenderam. Perguntar desculpas a quem o ofendeu.
À manhã de 25 de maio, tomar banho ritualístico (com oração). Em seguida, usar roupas limpas. Se estiver em casa, pode simplesmente sentar no tapete e ler um mântra. Se for ao templo — melhor para os homens cobrir a cabeça (há tradição), para as mulheres — sari ou saia longa, com a cabeça coberta (lenço).
Jejuar de acordo com suas forças. Se estiver doente, grávida, amamentando, ou tiver doenças crônicas, o jejum é cancelado. Melhor praticar outro tipo de austeridade: não comer doces, não assistir TV, não mexer em fofocas.
Após o pôr do sol (25 de maio), o jejum ainda não termina. É necessário esperar o nascer do sol de 26 de maio. O frigir pode ser de alimentos cereais (por exemplo, arroz com vegetais). Não coma em excesso — o estômago está acostumado.
Na era das redes sociais e do fast food, o Pádmíni Ekádashi ganhou um novo significado. É um detox para o corpo e o cérebro. As pessoas se absterem de comida e dispositivos, passam o dia em silêncio e oração. É como um sábado digital, mas com foco no jejum físico.
Cientistas confirmam: o jejum periódico melhora o metabolismo, reduz o nível de açúcar, promove a renovação das células (autofagia). Mas o Pádmíni Ekádashi não é apenas uma dieta. É uma restrição consciente, conectada à prática espiritual.
Em 2026, cada vez mais pessoas não religiosas se juntam ao ekádashi como um desafio: «tente não comer 24 horas e não perder a mente». Muitos conseguem e sentem leveza.
O importante é não transformar o jejum em uma fome por emagrecimento. A componente espiritual é mais importante.
Mito: Se jejuar em ekádashi, os deuses perdoam quaisquer pecados. Realidade: o perdão depende do arrependimento sincero. O jejum é uma ajuda, mas não automático.
Mito: Pode beber água sem limites. Realidade: no nirjala rigoroso — não pode nem água. No médio — pode.
Mito: Crianças também precisam jejuar. Realidade: não é recomendado para crianças até 8 anos. Pode oferecer vegetarianismo nesse dia.
Mito: Se não conseguir jejuar, ekádashi não tem significado. Realidade: pode pelo menos não comer carne, não xingar, não mentir. Isso já é bom.
Mito: Ekádashi é apenas para hindus. Realidade: qualquer pessoa que respeite a tradição pode observá-lo. O importante é o estado interno.
Importante: não julgar aqueles que não jejuam. Cada um está em seu estágio.
O Pádmíni Ekádashi não é um arcaísmo. É um lembrete de que o homem não é o corpo. Ele é a alma. Ao limitar o consumo, despertamos a consciência. No mundo do shopping contínuo e entrega de comida, isso é uma revolução.
Você pode não acreditar nos deuses, mas tentar não comer cereais, desligar o telefone e passear pelo parque em 25 de maio. Olhar para o céu, respirar. Sentir a conexão com algo maior. Talvez isso seja o verdadeiro Pádmíni Ekádashi — o lótus que se abre no coração.
E mesmo se você comer arroz apenas pela manhã de 26 de maio, você já fez um passo. E dos passos se forma o caminho.
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